Francisco Assis: "Não penso que Passos seja um neo-liberal"

Crítico da liderança de Costa, Assis acha que a coligação de esquerda está a parar o país - e Costa a levar o PS para uma "esquizofrenia". Defende o retomar do diálogo com Passos. Entrevista TSF/DN.

Há uma frase na moção de António Costa ao congresso do PS que está, "em tudo", errada, diz Francisco Assis. No texto lê-se que "o adversário principal da esquerda socialista, social-democrática e progressista não são as forças à sua esquerda, é o forte desvio neoliberal do centro-direita conservador e a emergência da direita populista, nacionalista, autoritária e xenófoba."

Francisco Assis considera que a frase "reflete uma reorientação política e estratégica do PS - e até instala uma situação de relativa esquizofrenia, na medida em que no espaço europeu nos entendemos preferencialmente com o centro-direita e aqui em Portugal queremos fazer do centro-direita o adversário absoluto e fazer da extrema-esquerda o nosso parceiro permanente".

Em entrevista à TSF e DN, Assis não se limita a criticar a estratégia seguida por António Costa nestes seis meses de Governo. Defende até o "retomar" do diálogo com o PSD de Passos Coelho, que nem vê como um neo-liberal: "Eu não diria que hoje Pedro Passos Coelho siga uma orientação política estritamente neo-liberal. É completamente errado, parece-me uma simplificação e deturpação da realidade."

Mantendo integralmente as críticas e reservas que fez antes de nascer o acordo de esquerda (quando defendeu que o PSD devia fazer Governo e o PS negociar passo a passo a governação), Assis diz nem perceber a declaração de vitória de António Costa quando diz estar provada uma vitória ao fim de seis meses de Governo:

"Era o que faltava este governo não ter durado seis meses. Os governos não são avaliados pelo tempo que duram, mas pelos resultados que conseguem. Até admito que possa durar muito mais tempo, mas estou convencido que as condições para que dure são as mesmas condições para que não faça o que devia."

Explicando porque não votou em Costa nas diretas, ou porque votaria contra a moção do líder ao congresso do próximo fim de semana, o eurodeputado concretiza os bloqueios governativos que vê em Portugal - e em que áreas acha que o PS nada fará: "O Governo não fará reformas sérias no estado social - e o estado social precisa de reformas), acho que o Governo fará acertos em matéria laboral de forma muito conservadora e não se fará nenhuma reforma do sistema político, por exemplo."

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