Bola à trave: depois das dúvidas do Governo, FPF e RTP rasgam acordo

A RTP e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) terminaram o acordo assinado entre ambos, mas o assunto está longe do ponto final. No debate quinzenal, Costa adianta que já seguiram cinco questões para a RTP para que o tema seja esclarecido.

A questão foi colocada por Catarina Martins do Bloco de Esquerda que considera "uma medida gravíssima" o facto de a televisão pública ter estabelecido um protocolo com a Federação Portuguesa de Futebol para cedência de instalações e de trabalhadores da delegação Norte.

António Costa partilha da "perplexidade" do BE e adiantou que os ministros das Finanças e da Cultura já enviaram cinco perguntas ao Conselho de Administração da RTP, sublinhando que este entendimento "não foi do conhecimento prévio do Governo".

Entre as questões estão as seguintes: "Como é que este memorando não estava previsto no plano de atividades" e se este protocolo "é gestão corrente".

O Governo quer ainda "esclarecer em que termos a FPF passa a utilizar as instalações afetas ao serviço público" e "como é que a RTP se propõe ceder trabalhadores à FPF".

O último ponto sublinhado por António Costa traduz a preocupação do Governo com a "concorrência leal" a que a RTP está obrigada.

"Como se explica que a RTP participe numa iniciativa que é concorrencial da sua atividade e de outros canais as quais a RTP tem que manter uma concorrência leal", questionou o primeiro-ministro.

O Governo aguarda as respostas do Conselho de Administração da RTP para avaliar de acordo com as respostas.

O acordo que já foi rasgado

No passado mês de janeiro, a FPF e a RTP assinaram um memorando que beneficiava ambas as partes, por um lado o canal televisivo tinha preferência pelos direitos de transmissão dos jogos das Seleções nacionais, enquanto a FPF recebia imagens do arquivos do canal, conteúdos futuros, acesso aos estúdios do Porto, mas também meios humanos e técnicos.

Depois de ter sido tornado público, o canal de televisão e a federação resolveram rasgar o memorando, segundo avançou a revista Meios&Publicidade , uma informação confirmada à TSF pela FPF.

"A FPF tem enorme respeito pela RTP e por todos os seus trabalhadores. A FPF continuará a estar disponível para analisar as oportunidades de cooperação com a RTP caso a caso, como sempre sucedeu, nomeadamente as que permitam desenvolver o futebol e permitir o acesso dos portugueses, aos que vivem lá fora e na diáspora, aos jogos das seleções nacionais", revelou fonte da FPF ao órgão de comunicação social.

"FPF revelou ter mais noção de serviço público"

Paulo Mendes, membro da comissão de trabalhadores da RTP, acredita que este é o "corolário lógico de um documento que nunca podia ter sido assinado por uma empresa pública".

A comissão de trabalhadores acredita que "era absolutamente ruinoso para a empresa, dado que a RTP dava para a formação de um canal privado pessoal, instalações, mais de 100 horas de arquivos avaliadas em preço de tabela em milhões de euros".

"A FPF revelou ter mais noção da obrigação de serviço público do que a própria administração da RTP que agora não tem qualquer tipo de condições para continuar", reforçou Paulo Mendes.

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