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"Governo não está a negociar com o Bloco de Esquerda" aplicação da 'taxa Robles'

O Bloco quer fazer "penitência pública", diz Carlos César. "É um tiro no pé", considera Luís Montenegro. A chamada 'taxa Robles' em debate no programa "Almoços Grátis" desta quarta-feira.

Carlos César diz que o Governo "não está a negociar com o Bloco de Esquerda" a aplicação da taxa proposta pelos bloquistas para combater a especulação imobiliária, já conhecida como 'taxa Robles'.

Esta quarta-feira no programa "Almoços Grátis" o líder parlamentar do PS diz que está aberto um "debate livre" que pode comportar quaisquer propostas", mesmo que o Governo não concorde, mas "o Governo não está a negociar com o Bloco de Esquerda essa medida, isso não é verdade".

Não foi essa a ideia passada pela líder bloquista. Catarina Martins assegurou, esta terça-feira ao fim do dia, que a proposta estava a ser negociada desde junho com o ministro das Finanças. A rejeição de António Costa só se pode justificar pelo facto de o primeiro-ministro ainda não ter falado com Mário Centeno sobre este assunto​​​​​, disse.​

"Compreendemos que o Bloco de Esquerda queira fazer alguma penitência pública", diz, mas "há formas mais eficientes" de regular os negócios no setor do imobiliário. "Mais um imposto, menos um imposto, não é isto que vai fazer com que um especulador deixe de o ser".

António Costa manifestou-se desfavorável à ideia do BE , considerando que o que está a ser proposto é, na realidade, um imposto que os bloquistas estão a "tratar como taxa". "É um imposto que repete o Imposto Mais-Valias, que já existe, e que já tributa o que há para tributar", disse. Por sua vez Rui Rio defendeu que a taxa " nem é assim uma coisa tão disparatada ".

"Temos dificuldade em perceber o posicionamento do PSD, até agora só se sabe dessa notícia favorável", nota Carlos César.

"A posição [de Rui Rio] terá de ser o próprio a explaná-la e a fundamentá-la", diz Luís Montenegro.

Para o social-democrata, a proposta desta taxa é "um tiro no pé monumental de Catarina Martins" e um "erro politico".

É "masoquismo político", ironiza Luís Montenegro. "Não abona a favor do Bloco de Esquerda" reavivar o caso Robles, um dos piores momentos da história do partido, considera.

"No global, esta medida, esta ideia, é errada (...) foi apresentada com muita ligeireza que quase roça a ignorância do sistema fiscal", condena. Catarina Martins "só vai perder" se tentar "andar de explicação em explicação, a tentar explicar o inexplicável."

No domingo, a coordenadora do Bloco de Esquerda anunciou uma proposta para travar a especulação imobiliária, adiantando que essa medida teria condições para ser aprovada no âmbito do Orçamento do Estado para 2019. Catarina Martins disse que o mecanismo proposto seria semelhante à taxação "dos movimentos da especulação em bolsa", sujeitando a uma taxa especial quem compra e vende num curto período de tempo e com muito lucro.

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