PSD e PS trocam acusações de "cambalhotas" e "piruetas" sobre professores

A crise dos professores continuam no centro da discussão no parlamento.

O PSD acusou o Governo de ter prometido aos professores a contagem integral do tempo de serviço e depois recuado, e defendeu que o partido "não podia nem devia aceitar tamanha cambalhota" de António Costa.

Numa declaração política na Assembleia da República, o vice-presidente da bancada do PSD Adão Silva escolheu como tema a ameaça de demissão do primeiro-ministro, que classificou de "charada" e "golpe de teatro rasca".

O deputado do PSD defendeu que a promessa de contagem do tempo integral dos professores foi "moeda de troca" para aprovar o Orçamento de Estado de 2018, mas em 2019 o Governo veio dar "o dito por não dito" e, por isso, os sociais-democratas pediram a apreciação parlamentar do diploma.

"Nós não mudámos de posição. Não recuámos. Não temos duas caras. Não enganámos os portugueses. Não fazemos o teatro", defendeu, desafiando o PS a aprovar as propostas que "atendem aos direitos dos professores, num quadro de escrupulosa salvaguarda financeira".

Para Adão Silva, se os socialistas votarem a favor das propostas do PSD, "cumpre-se o que foi prometido aos professores". Caso contrário, o PSD votará contra o diploma, por não dar as "garantias do rigor financeiro e orçamental".

"Se o PS votar contra a nossa proposta de salvaguarda financeira, então ficará claro, para todos os portugueses, não apenas a incoerência do Governo, mas especialmente a farsa que o dr. António Costa montou", acusou.

A "cambalhota" do PSD

O deputado e dirigente socialista Porfírio Silva deu a resposta, em tom irónico: "O PS não vai acompanhar a cambalhota do PSD, esteja descansado", disse.

Porfírio Silva acusou o PSD de, na realidade, querer menos professores e questionou se o grupo parlamentar social-democrata esteve ou não em contacto permanente com a direção do partido, pergunta que não teve resposta.

Pelo BE, a deputada Joana Mortágua acusou o PSD e CDS de terem "brincado com os professores ao recuarem perante a chantagem do Governo".

"As desculpas de Rui Rio são esfarrapadas", afirmou, acusando o líder do PSD de mentir, quando diz que o seu partido "nunca deu como aprovada" a recuperação integral do tempo de serviço dos professores.

Joana Mortágua leu a declaração de voto do PSD na Comissão de Educação da passada quinta-feira, na qual se refere que "esse tempo está agora reposto" e que a votação dos sociais-democratas "permitirá que o Governo vá para as negociações com vários graus de liberdade".

Pelo PCP, o deputado António Filipe classificou a intervenção de Adão Silva como "o anúncio antecipado da cambalhota do PSD" e aconselhou-o a "tentar perceber onde está a cabeça e onde estão os pés".

"O que mudou para o PSD mudar de posição?", questionou.

Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes", acusou o PSD de "não estar a falar claro".

"Se não gosta de cambalhota nem de pirueta, usemos outra palavra: não pode esperar que passe despercebido o trambolhão que o PSD está a dar", criticou.

Adão Silva respondeu às várias bancadas dizendo que "não há cambalhota nenhuma do PSD" e apontou que "o exercício acrobático" sobre a contagem dos professores foi da bancada do PS e do Governo ao longo dos últimos anos.

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