Greves

Governo rejeita "arrogância", mas avisa: "Aproximações não são cedências"

Vieira da Silva garante que o Executivo do PS "não vai abdicar do mais adequado". O ministro do Trabalho considera ainda que palavras de Rui Rio sobre greves são "um pouco exageradas".

Num momento em que o país enfrenta uma vaga de greves em diversos setores - desde os professores aos juízes, passando pelos trabalhadores ferroviários ou pelos enfermeiros, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, rejeita ainda qualquer tipo de "arrogância" por parte do Executivo nas negociações com os vários parceiros.

Vieira da Silva defende que, nalgumas matérias, o Governo liderado por António Costa tem procurado "aproximações", mas lamenta que, do outro lado das negociações, não haja, por vezes, vontade para alcançar compromissos.

"Não podemos confundir rigor e exigência com arrogância. Arrogância seria considerar que, por estarmos perto das eleições, podemos ter uma política que não respeita as regras que nós próprios definimos como essenciais para que Portugal possa ter sucesso. O Governo tem-se sempre movido, nem sempre os outros parceiros o fazem", afirmou o ministro à TSF e à Lusa, em declarações à margem do Congresso do Partido Socialista Europeu, no ISCTE, em Lisboa.

Segundo Vieira da Silva, no momento de negociar com os diversos setores, o Governo "tem feito movimentos de aproximação", mas sublinha que isso não significa que haja "movimentos de cedência à posição da outra parte quando há um conflito".

"Isso não é convergência, não é negociação, é uma abdicação, e o Governo não vai abdicar do que considera ser o mais adequado para que possamos cumprir este compromisso de melhorar as condições do país e cumprir os compromissos internos e externos", acrescentou.

Arrogância seria considerar, só porque estamos próximos de eleições, que poderíamos ter uma política que não respeitava regras essenciais para que Portugal possa ter sucesso", contrapôs Vieira da Silva.

O Presidente do PSD, Rui Rio, conversa com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante as audiências aos partidos com assento parlamentar, no palácio de Belém, em Lisboa.

Vieira da Silva considera palavras de Rui Rio "um pouco exageradas"

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social entende que as palavras de Rui Rio sobre os conflitos sociais mais mediáticos são "um pouco exageradas".

Ontem, depois do encontro com o presidente da República, em Belém, o líder do PSD mostrou-se preocupado com a "ausência de paz social" e com a multiplicação de greves. "Penso que ainda me chegam os dedos das mãos para contar as greves que tem havido nos últimos 15 dias", disse Rui Rio.

Ouvido à margem do Congresso do Partido Socialista Europeu, em Lisboa, o ministro Vieira da Silva considerou que as afirmações não refletem a realidade defendeu-se com os "indicadores" económicos e sociais.

"Posso fornecer os indicadores de conflitos sociais ao logo dos anos e facilmente verificamos que essas palavras [de Rui Rio] pecam um pouco por exagero", disse o ministro, que admite, no entanto, alguma conflitualidade: "É certo que há setores, nomeadamente mais ligados aos serviços, onde há um maior nível de conflitualidade, mas não é necessariamente um sinal de crise, nem a apatia social é sinal de progresso",

Conflitos geram "custo pesado" para parte dos portugueses

Questionado sobre as consequências do elevado número de greves, Vieira da Silva admitiu ainda que comportam um "custo pesado para uma parte dos portugueses - em alguns casos custos significativos", sublinhando, no entanto, que o Governo entende que "após um período longo de restrições, as pessoas tenham agora expectativas de melhorias nas suas condições de trabalho".

E acrescentou: "Tentamos minimizar os efeitos dos conflitos, procurando que possam ser ultrapassados. Julgo que a experiência histórica nos diz que as fases finais de todas as legislaturas são momentos em que os vários atores pretendem valorizar as suas posições".

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