"Governo sustentado por BE e PCP jamais seria amigo das empresas e investimento"

Líder do PSD respondeu a António Costa, que diz querer ver Portugal a crescer acima da União Europeia durante, pelo menos, dez anos.

O líder do PSD afirmou este sábado que o executivo não teve uma "política sustentada de crescimento económico", nem podia, "porque um Governo sustentado pelo BE e pelo PCP jamais seria amigo das empresas e do investimento".

"Portugal a crescer acima da União Europeia queremos todos. Outra coisa é termos uma política económica que sustente uma afirmação dessas. Para isso, temos de ter uma política sustentada de crescimento económico, necessariamente apostada nas exportações e no investimento", afirmou Rui Rio na Maia, à margem do fórum distrital autárquico do Porto.

Contudo, acrescentou, se se for ver "as políticas deste governo para facilitar o investimento privado e as exportações, não são nenhumas".

"Nem podíamos esperar que fossem algumas, porque um governo sustentado pelo BE e PCP jamais seria amigo das empresas e do investimento", sustentou.

O líder social-democrata defendeu ainda que Portugal devia "ter aproveitado no momento alto do ciclo económico", nos últimos "três ou quatro anos", para "preparar o futuro com uma estratégia de crescimento económico sustentado", mas isso não aconteceu e, "quando o ciclo baixar, e já está a baixar", o país vai "ter de sofrer mais do que era necessário".

O social-democrata comentava assim a afirmação deste sábado do primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, de ter a ambição de Portugal a crescer acima da União Europeia "pelo menos por uma década" e a defender a "continuidade" da política de "crescimento" do governo que, quando anunciada, levou muitos a dizer que "o diabo vem aí".

"Tudo o que, nestes anos, foi feito pelo Governo, não pode sustentar uma afirmação dessas", defendeu Rui Rio, referindo-se à ambição de António Costa relativamente ao crescimento acima da UE por mais uma década.

"É o investimento e as exportações que podem garantir o crescimento económico, que depois garante melhor emprego e melhores salários. Até lá podemos dizer o que queremos", observou.

Para Rui Rio, primeiro há que "semear para depois poder colher", pois Portugal "não teve" uma política sustentada de crescimento.

A subida do rating português

Quanto à subida do 'rating' de Portugal pela Standard & Poors (S&P), o presidente do PSD admitiu "ser preferível dizerem que está bem do que está mal".

"Independentemente do que dizem agências, que para mim não é muito relevante, o que devemos fazer é: Quando a economia vem para um ciclo baixo, devemos ter défice. Pagamos mais subsídios desemprego, pagamos mais TSU [Taxa Social Única], mas isso deve resvalar para o défice e não sobrecarregar as pessoas", defendeu.

Para o líder do PSD, "o que Portugal tem de fazer é melhorar o seu rácio de dívida pública e o PIB [Produto Interno Bruto], mas acima de tudo baixar a dívida pública".

"Só se consegue baixar a dívida publica quando as contas nacionais não forem deficitárias", disse.

Segundo Rui Rio, "o que mandam as boas regras das finanças publicas é que, quando há crescimento económico, os orçamentos devem ser superavitários e reduzir a dívida".

Por outro lado, "quando começam a crescer menos, devem ter défice".

"É esta regra que, no futuro, Portugal deve seguir. Se seguir vai ser difícil as agências de 'rating' não lhe darem sempre uma boa classificação", justificou.

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