Parlamento

Hugo Soares regressou e foi aplaudido de pé pela bancada do PSD. Negrão aplaudiu sentado

No parlamento, o ex-líder parlamentar do PSD subiu à tribuna e não deu tréguas ao primeiro-ministro. Acusou António Costa de "obsessão consigo próprio" e, no fim, foi aplaudido de pé pela bancada social-democrata.

Tem sido uma das vozes críticas de Rui Rio nos corredores do PSD e, desde que o os social-democratas mudaram de liderança, tem estado afastado dos principais palcos políticos. Mas, esta segunda-feira, durante o debate do Orçamento do Estado na generalidade, Hugo Soares, antigo líder parlamentar social-democrata, foi uma das figuras escolhidas pelo PSD para o debate - e, depois de um ataque cerrado ao Governo, saiu aplaudido de pé.

Na primeira fila da bancada do PSD, o atual líder parlamentar, Fernando Negrão - que ouviu Hugo Soares acusar António Costa de "umbiguismo político" e de ser responsável por um Orçamento do Estado "eleitoralista" e "sem visão de futuro" -, aplaudiu, mas foi dos poucos - a par do vice-presidente, Adão Silva - que não se levantou para o aplauso final à intervenção do social-democrata. E, se no hemiciclo houve quem aproveitasse para cumprimentar Hugo Soares, entre o atual e o antigo líder parlamentar, não houve lugar a cumprimentos.

Esta foi a primeira intervenção de Hugo Soares desde que o PSD mudou de direção e acontece depois das críticas de "silenciamento" dentro do grupo parlamentar , dadas a conhecer por alguns deputados conotados com a direção liderada por Pedro Passos Coelho.

"Orçamento do Estado é última cartada de Costa para tentar ganhar as eleições que nunca ganhou"

As primeiras palavras do primeiro-ministro no debate do Orçamento do Estado só devem ouvir-se quando decorrer a votação final global do documento, mas, no primeiro de dois dias do debate na generalidade, António Costa, em silêncio, assistiu àquela que foi, porventura, a intervenção mais dura para com o primeiro-ministro.

Na tribuna, Hugo Soares, deputado e ex-líder parlamentar do PSD, terminou a intervenção com a seguinte afirmação: "O país pode contar com o PSD, mas o Governo não pode". Porém, as palavras com que construiu o discurso e que o levaram a terminar com essa afirmação foram bem mais duras.

"Hoje sabemos quanto vale a palavra política do Governo e de António Costa: vale pouco, vale muito poucochinho". Foi desta forma que Hugo Soares deu início à intervenção, dando conta de que, na sua opinião, o Executivo do PS "propõe a maior carga fiscal de sempre" e reduz o investimento público para níveis abaixo de 2015.

E prosseguiu: "É um Orçamento do Estado sem ambição e sem consolidação. O Governo desistiu de crescer quando se acorrentou ao BE e ao PCP. À geringonça sobra em conversa fiada o que falta em ambição". Já no que diz respeito ao défice, o deputado disse que o país "ainda não percebeu se deve confiar nas palavras do Governo ou nas contas do Governo", lamentando que o Executivo desaproveite a oportunidade.

"Trocam o futuro pelo eleitoralismo orçamental. Na verdade, trocam o futuro pelo vosso umbigo político. Este Orçamento é uma espécie de última cartada de António Costa para tentar ganhar as eleições que nunca ganhou. Os senhores preferem o estado eleitoral ao estado social", assinalou Hugo Soares, que acusou Costa de uma "obsessão consigo próprio".

Na resposta, Jamila Madeira, deputada e vice-presidente da bancada do PS, defendeu que a intervenção de Hugo Soares - com o atual líder parlamentar, Fernando Negrão, a assistir - "fará mais mossa" à bancada do PSD do que ao PS. "Ficamos na dúvida se estamos a ver a ARTv (televisão oficial do parlamento) ou na RTP Memória", ironizou a deputada socialista.

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