Polémica José Silvano

"José Silvano não foi correto. Não me lembraria de pedir que assinassem por mim"

Catarina Martins critica a atuação do deputado e secretário-geral do PSD. E garante que nunca lhe ocorreria entregar as suas credenciais a outro deputado para marcar presença.

Difícil de perceber. É assim que Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, reage às notícias sobre José Silvano. O deputado do PSD - e secretário-geral do partido - que faltou a duas sessões no Parlamento e teve alguém que assinou por ele.

Convidada do programa da TSF, Bloco Central, Catarina Martins considera que a atuação de José Silvano "não foi correta" e lembra que "o nome de utilizador e a senha de um deputado, é utilizada não só para marcar presenças, mas também para fazer perguntas e apresentar requerimentos", por exemplo.

A coordenadora do Bloco de Esquerda garante que nunca "me lembraria de dar alguém a forma de me registar" e diz que não percebe a atitude do deputado do PSD.

À TSF, Catarina Martins considera "normal que os dirigentes que têm funções nacionais, tenham trabalho político fora do parlamento" e lembra que ela própria já teve que faltar ao Planário, mas foram "raríssimas as vezes. Eu tento faltar o mínimo possível.

Já se sabe quem assinou por José Silvano

Emília Cerqueira, deputada do PSD, terá sido a responsável pela marcação de presença de José Silvano. O secretário-geral do PSD, que esta semana pediu ao Ministério Público que averiguasse tudo, até ao mais ínfimo detalhe, está debaixo de fogo depois de o jornal Expresso ter revelado que durante dois dias faltou a reuniões plenárias, tendo no entanto presença marcada.

Nada que outros deputados não tenham já feito. É esta, no essencial, a explicação de José Silvano, Secretário-geral do PSD, para as faltas injustificadas que deu no Parlamento e que tentou contornar pedindo a alguém que marcasse presença por ele.

Em comunicado enviado às redações - esta semana - José Silvano fala "na existência de uma prática parlamentar que permite conciliar a atividade política intensa dos dirigentes nacionais dos partidos políticos, nunca descurando as questões relevantes para o país, com a atividade parlamentar quotidiana."

Mas essa alegada prática parlamentar, não explica as senhas de presença que José Silvano recebeu pelos dias em que não participou nos trabalhos parlamentares. Sobre isso, o Secretário-geral do PSD garante que nunca se quis aproveitar "dos dinheiros públicos".

É por isso que pede agora ao Presidente da Assembleia da República "que fossem marcadas as respetivas faltas", acrescentando ainda que justificou "também as razões para que tal procedimento não tivesse ainda ocorrido."

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