Furto em Tancos

MAI garante que nunca falou com ex-ministra sobre "encobrimento" no caso de Tancos

Em resposta ao PSD, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse que eventual "encobrimento" do caso do furto de armas nunca foi falado com GNR nem com a ex-ministra, Constança Urbano de Sousa.

"Nunca falei sobre esse caso com a minha antecessora [a antiga ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa], essa questão é aqui nova. Esta matéria nunca foi falada com a estrutura da GNR", disse Eduardo Cabrita, esta quinta-feira, no parlamento, durante a audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

A garantia foi dada pelo ministro da Administração Interna (MAI), durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para o próximo ano, após uma questão colocada pelo deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Peixoto.

O deputado social-democrata sublinhou o facto de a GNR estar "confessadamente envolvida" no alegado "encobrimento" do caso da recuperação do material militar furtado e perguntou a Eduardo Cabrita se "sabia ou não sabia alguma coisa" e se "falou ou não falou com a antecessora".

Na resposta ao PSD, Eduardo Cabrita começou por dizer que passou a exercer as funções de ministro da Administração Interna no dia 21 de outubro de 2017, ou seja, "depois dos dois acontecimentos que [o deputado do PSD, Carlos Peixoto] enunciou", referindo que o "contributo" que deu para o "pleno apuramento da verdade" foi, no âmbito das suas competências, determinar a abertura de um inquérito.

"Quando foi do conhecimento público, e quando houve notificação ao MAI da constituição de quatro militares da GNR - dois sargentos e dois guardas - como arguidos, de imediato determinar que a Inspeção-geral da Administração Interna abrisse um inquérito para apuramento das responsabilidades disciplinares eventualmente existentes", disse Eduardo Cabrita.

Antes, já Carlos Peixoto, deputado do PSD, tinha atirado: "Já era ministro da Administração Interna quando se falou do encobrimento do caso de Tancos".

Eduardo Cabrita já tinha garantido ao PSD nada saber sobre o caso

No dia 2 de novembro, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, tinha garantido , em resposta a uma pergunta do PSD, não ter tido "conhecimento nem qualquer informação relativa à recuperação das armas" furtadas em Tancos.

"O ministro da Administração Interna não teve conhecimento nem qualquer informação relativa à recuperação das armas", respondia o MAI numa resposta escrita à agência Lusa, depois de os social-democratas terem perguntado se o atual ministro "teve, em algum momento, conhecimento dos contornos da operação que levaram ao encobrimento do desaparecimento das armas de Tancos".

Os social-democratas argumentavam que "foi tornado público" o alegado envolvimento de militares da GNR - que estão sob tutela do MAI -, nomeadamente de Loulé, na "operação que levou ao encobrimento do roubo do material de guerra".

O desaparecimento de material militar dos paióis de Tancos foi divulgado pelo Exército em junho de 2017.

Está em curso uma investigação do Ministério Público sobre o reaparecimento do material levado de Tancos, designada Operação Húbris, no âmbito da qual foram detidos para interrogatório militares da GNR e da Policia Judiciária Militar (PJM).

Entre os arguidos do inquérito que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos em 2017 estão o ex-diretor da PJM, que está em prisão preventiva, o investigador e ex-porta voz da PJM e outros três responsáveis desta polícia. A estes somam-se um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

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