Marcelo falou de direitos humanos ao presidente chinês. Mas ficou sem resposta

O tema do Presidente da República, na Conferência Faixa e Rota, era o desenvolvimento sustentável, mas Marcelo, conseguiu, ainda assim, fazer a ponte para os direitos humanos. O presidente Xi Jiping ouviu, comentou a intervenção de Marcelo, mas evitou o tema.

Numa sala com 37 chefes de Estado e de Governo, a diretora do Fundo Monetário Internacional e o Secretário-geral das Nações Unidas, coube, ainda assim, o elefante dos direitos humanos. E foram dois os portugueses que decidiram não o contornar. Primeiro António Guterres. Logo a seguir, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República participava numa mesa redonda sobre desenvolvimento sustentável, mas não deixou, para rematar o discurso, de se referir ao tema direitos humanos, tão sensível num país como a China:"Vamos reafirmar o nosso compromisso para preservar o nosso planeta para as gerações futuras. Vamos trabalhar juntos para mitigar os efeitos das alterações climáticas. E, mais importante, vamos combinar uma ação multilateral com a política do diálogo, porque esta é, verdadeiramente, a única via possível para um mundo melhor, um mundo onde a paz, o desenvolvimento, a justiça, a segurança e o respeito efetivo pelos direitos humanos possa prevalecer".

Xi Jiping, que assistiu a todas as intervenções, à medida que as ia comentando, não deixou de comentar também a do Presidente português, mas, pelo relato de Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, o chefe de Estado chinês limitou-se a fazer "um comentário falando da conversa sobre a cooperação entre Portugal e China, no âmbito da conversa que tínhamos tido em Lisboa " e não se "focou em aspetos concretos da minha intervenção".

"A China mudou"

Marcelo Rebelo de Sousa está, absolutamente convicto, de que a China está diferente. Mais aberta, mais disponível para aceitar as regras internacionais, mais próxima do ocidente. Mas a desconfiança - não a de Portugal - ainda é muita. E esta conferência Faixa e Rota, organizada pelo regime, provou isso mesmo.

Marcelo conta que foram vários os chefes de Estado que expressaram dúvidas sobre as verdadeiras intenções da China com este programa de milhares de milhões de euros, que pretende abrir novas rotas comerciais para a Europa e para África. O presidente chinês foi respondendo a todas essas críticas "dizendo que aderia completamente aos princípios de direito internacional, ao respeito das regras da organização mundial de comércio, à transparência, ao equilibro de prestações e à preocupação de multilateralismo e não de uma forma de dominação mais ou menos disfarçada", relata Marcelo.

Uma coisa parece certa: a China tem, claramente, um objetivo maior com este projeto. E o Presidente da República não tem dúvidas de que o regime sabe que tem "em si mesmo condições para ser uma potência mundial em termos económicos e, portanto, em termos políticos". Sabendo isso, diz Marcelo,"é óbvio" que a China "tem uma estratégia, como os Estados Unidos têm, a Federação Russa ou a União Europeia que também tem a ambição de ser, não apenas um parceiro económico forte, mas político forte".

"A China não é aliada de Portugal"

A frase tem sido várias vezes repetida nesta viagem. E o Presidente da República, que também a sublinha, faz questão de esclarecer os pontos em que Portugal e China se aproximam, mas também aqueles em que se afastam: "No domínio das alianças politicas e militares é uma coisa. Aí os nossos aliados são o que são e a China não é nossa aliada. No domínio da parceria competitiva há domínios em que há parceria competitiva com a china. No domínio da parceria cooperativa, então devemos colaborar".

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