Ministro da Administração Interna

Ministro diz que menor área ardida "não se deveu apenas a São Pedro"

No parlamento, o ministro da Administração Interna anunciou que, até dia 7 de novembro, arderam 43.750 hectares, com o "pior agosto de sempre" e o "pior setembro dos últimos cem anos".

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse, esta quinta-feira, no parlamento, durante a audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, que o total de área ardida até ao dia 7 de novembro deste de ano é de 43.750 hectares, rejeitando que a menor área ardida deste ano esteja relacionada com as condições atmosféricas.

"Tivemos menos 42% de ocorrências, o menor número dos últimos dez anos. Mais de 97% dessas ocorrências foram resolvidas no ataque inicial. Tivemos, até ontem [quarta-feira] uma área ardida de 43.750 hectares, que compara com os 538 mil do ano passado e os 140 mil de média dos últimos 1 dez anos", disse Eduardo Cabrita, que, no debate no âmbito da discussão do Orçamento do Estado na especialidade, sublinhou: "Tal não se deveu, certamente, apenas a São Pedro".

Segundo o ministro da Administração Interna, os números confirmam uma área ardida cerca de 69% abaixo da média da última década, defendendo Eduardo Cabrita que, ao contrário do que foi afirmado por "alguns comentadores distraídos", Portugal teve, este ano, em matéria de condições climáticas, o "pior agosto de sempre, o pior setembro dos últimos cem anos" e uma primeira quinzena de outubro "particularmente difícil".

"Os meios aéreos estiveram lá, os bombeiros estiveram lá, as forças armadas mais presentes do que nunca, a emergência médica, a Segurança Social, as autarquias, todos prevenindo e respondendo aos incidentes de maior complexidade", vincou.

Outro dos dados adiantados pelo ministro que sucedeu na pasta a Constança Urbano de Sousa foi o triplicar do número de contraordenações por violação de regras de limpeza florestal. De acordo com o Governo, até ao momento, este ano, houve cerca de três mil contraordenações, havendo ainda registo da detenção de 102 incendiários em flagrante delito.

SIRESP funcionou "sempre" este ano, garante o MAI

Depois de, nos incêndios do ano passado, terem sido registadas falhas no sistema SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), o ministro da Administração Interna disse, no parlamento, que em 2019 não houve falhas.

"Por vezes, as redes de comunicações móveis falharam, o SIRESP funcionou sempre", garantiu Eduardo Cabrita, que fez notar que os mecanismos de redundância elétrica e por satélite permitiram responder "não só naquilo que era resposta a ocorrências, mas também, aquando da passagem do 'furacão Leslie', dando energia elétrica a zonas urbanas até que a EDP conseguisse reabastecer".

MAI destaca descida da criminalidade

Na audição, o ministro da Administração Interna sublinhou ainda os números relativos à criminalidade nos primeiros nove meses do ano, salientando Eduardo Cabrita que confirmam um tendência de descida da criminalidade.

"A criminalidade violenta e grave regista, nos primeiros nove meses do ano, uma redução de 9%, que consolida uma tendência de redução, já em 2017, de 8%, apontando para valores invulgarmente baixos", assinalou o governante, que referiu ainda que os números relativos à criminalidade geral acompanham a "tendência de redução", com uma diminuição em 2018 de cerca de 2,5%.

Outro dos números que Eduardo Cabrita destacou foi o dos assaltos às caixas ATM, em que, nos primeiros nove meses do ano, houve uma descida na ordem dos 90%.

Aos deputados, o ministro disse ainda que o Governo tem como objetivo manter a aposta na formação na GNR e na PSP, assinalando que "nos últimos dois anos os recrutamentos para as forças de segurança foram superiores aos dos quatro anos anteriores".

"Tivemos em formação 950 militares da GNR. Há dez anos que não havia um número tão elevado. Na PSP estão em formação 400 elementos que terminam a formação em dezembro. Para o ano vamos ter um número superior de formandos", garantiu Eduardo Cabrita.

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