Política

"Não apoiamos um exército europeu", garante Costa

Posição ficará "preto no branco" numa resolução do Conselho de Ministros. Primeiro-ministro rejeita que a adesão à Cooperação Estruturada Permanente seja uma "alternativa à participação na NATO".

O primeiro-ministro garante que o Governo português não apoia a criação de um exército europeu e rejeita que a adesão de Portugal à Cooperação Estruturada Permanente (CEP) signifique um passo para que Portugal possa deixar a Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO).

A garantia foi deixada por António Costa, esta tarde, no parlamento, durante o debate preparatório do próximo Conselho Europeu e pouco antes da discussão dos vários projetos de resolução sobre esta matéria - com PSD e CDS-PP favoráveis à adesão e PCP, BE e PEV contra uma aproximação portuguesa a este organismo.

"Todas as condições estarão explicitadas na resolução do Conselho de Ministros que será amanhã aprovada, designadamente aquilo que já dissemos trinta vezes e que ficará preto no branco na resolução: não apoiamos um exército europeu, não apoiamos o princípio da espacialização [das tropas], nem apoiamos que seja visto como uma alternativa à NATO", afirmou.

Nesse sentido, e perante as dúvidas dos vários grupos parlamentares, o líder do Governo disse ainda que Portugal tem apoiado "desde a primeira hora" o desenvolvimento das "novas políticas da União Europeia, não como alternativa à NATO, mas como complementaridade à NATO".

Costa, os "fantasmas" e o "diabo"

Durante o debate - no qual PSD e CDS-PP se mostraram favoráveis à adesão à Cooperação Estruturada Permanente e PCP e BE se manifestaram contra -, António Costa deixou ainda uma mensagem às bancadas do PSD e do CDS-PP para que não se de "dediquem aos fantasmas".

"Agora que já desistiram do diabo não se dediquem aos fantasmas, porque já está na altura de simplesmente se concentrarem na realidade, que é algo essencial para nos concentrarmos e travarmos o debate político", concluiu.

Pelo CDS-PP, Pedro Mota Soares, acusou António Costa de gerir de forma "errática" e "leviana" o processo de adesão, salientando que o Governo não apresentou, no Parlamento, o Plano de Implementação Nacional da cooperação.

Na resposta, o primeiro-ministro defendeu que o documento tem "natureza secreta", enquanto, pelo PSD, o deputado Miguel Morgado pediu para que fosse distribuída, pelos deputados, a ata da audição do Ministro da Defesa, em que o ministro Azeredo Lopes se terá comprometido a entregar, no parlamento, o Plano de Implementação Nacional da Cooperação Estruturada Permanente.

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