"Não me lembro." Chefe de gabinete de Azeredo Lopes não sabe se deu documento ao ministro

O tenente-general Martins Pereira reafirmou que "não descortinou" encenação ou encobrimento ao ler o documento entregue pela Polícia Judiciária Militar.

"Se enviei ou não, não me lembro, o ministro diz que nunca viu o documento, eu confio no ministro", disse o antigo chefe de gabinete de José Azeredo Lopes, então titular da Defesa, admitindo que possa ter falado ao ministro sobre o assunto:

"É provável, é lógico que lhe tenha ligado. Que durante o dia, quando falei com o ministro o assunto veio à baila".

Na comissão parlamentar de inquérito ao furto de material de guerra em Tancos, o general Martins Pereira confirmou que recebeu "cedo de manhã" no dia 20 de outubro de 2017, dois responsáveis pela Polícia Judiciária Militar (PJM): o então diretor da PJM, coronel Luís Vieira, e o major Vasco Brazão para lhe darem conta que não tinham informado a Judiciária sobre a forma como decorrera a recuperação das armas.

Nesse encontro, onde esteve ausente o ministro da Defesa, foram "colocados na mesa" dois documentos: uma "fita do tempo" e um documento "não timbrado e não assinado" e que lhe pareceu feito "com alguma pressa".

Tenente-general "não descortinou" qualquer encenação

Como já tinha afirmado antes, o antigo chefe de gabinete do ministro da Defesa insistiu que "não descortinou" no documento sinais de "encenação" ou "encobrimento" apenas ficou com a ideia de que os dois responsáveis da PJM "estavam apavorados" pelo facto de não terem informado previamente a Polícia Judiciária (a quem tinha sido entregue a investigação) da operação de recuperação porque era "um requisito do informador".

De acordo com o relato de António Martins Pereira, nessa reunião foi-lhe dito para "destruir o documento", mas ele acabou por tirar-lhe uma fotografia que acabou por entregar no Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Sobre a "tensão" entre a PJM e a PJ, Martins Pereira confirmou que a 4 de julho, em Tancos, o antigo líder da PJM deu conta da "insatisfação" ao Presidente da República, mas "não ficou com a impressão" de que tivesse havido o compromisso de Marcelo Rebelo de Sousa de interceder junto da Procuradora Geral da República.

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