XI Convenção Nacional do BE

"Não negociamos lugares, negociamos políticas de esquerda"

Mariana Mortágua, deputada bloquista, defendeu na XI Convenção Nacional que a força do Bloco de Esquerda "não depende nem se faz à luz do PS".

Tem sido uma das questões mais colocadas aos delegados à XI Convenção Nacional do BE: o que seria preciso para que o Bloco de Esquerda integrasse um Governo com o PS? Há quem diga que falta, por parte dos socialistas, disponibilidade para discutir matérias como a revisão do Tratado Orçamental ou a renegociação da dívida.

Para Mariana Mortágua, é simples: o Bloco está disponível desde que, à esquerda, haja quem queira discutir... políticas de esquerda.

"Nós não estamos aqui para negociar lugares, nós estamos aqui para negociar políticas de esquerda, e fá-lo-emos com quem quiser negociar políticas de esquerda, sem sectarismo e com toda a abertura que já mostrámos no passado", disse a deputada aos jornalistas, na XI Convenção Nacional do BE, em Lisboa.

Segundo a deputada e membro da Comissão Política do BE, o Bloco fez "um bom trabalho" durante os últimos três anos - após ter assinado o compromisso com o PS -, mas não serão os socialistas a condicionar qualquer posição futura.

"A força e a capacidade de o BE ter um programa político não depende nem se faz à luz do PS, nós apresentámos um programa próprio e queremos ter um programa próprio nas eleições. Os entendimentos dependem das relações de força entre os partidos", afirmou Mariana Mortágua.

A deputada assinala ainda os "contributos" do BE para a "gestão da política económica e social" feita pelo Governo como exemplo do que foi realizado, mas também do que ainda está por fazer.

"Hoje olhamos para o emprego e percebemos a importância destas medidas, mas elas não são suficientes", diz Mariana Mortágua, que nota, no entanto, que houve progressos: "Há mais emprego, mais crescimento económico e mais salários".

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