PSD

Negrão diz que Barreiras Duarte não está fragilizado "mesmo que seja arguido"

Fernando Negrão diz que o secretário-geral do PSD, Barreiras Duarte, não sai fragilizado

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, afirmou esta quarta-feira que o deputado e secretário-geral social-democrata, Feliciano Barreiras Duarte, não está fragilizado nas suas funções, mesmo que seja constituído arguido.

No final da conferência de líderes,e questionado pelos jornalistas se Barreiras Duarte - que hoje faltou a uma Comissão a que deveria presidir - não está debilitado nas suas funções, Fernando Negrão respondeu: "Não me parece, o facto de ser arguido não debilita ninguém, uma vez que a qualidade de arguido é uma qualidade que até serve para defender a própria pessoa em tribunal".

Questionado se o secretário-geral foi constituído arguido, já que até agora só é público que a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito relacionado com o seu currículo académico, o líder parlamentar do PSD afirmou que não, nem considera existirem indícios para tal.

"Não, no caso não é arguido, mas tendo sido aberto um processo podendo evoluir para aí direi que isto faz parte do normal funcionamento das instituições", afirmou Negrão, acrescentando que, na sua opinião, "não há indícios para tal", mas remetendo a avaliação para o Ministério Público.

Inquirido se os vários casos e inquéritos abertos a dirigentes do PSD fragilizam o partido, Negrão respondeu negativamente.

"Não vejo nenhuma sucessão de casos com dirigentes do PSD, vejo sucessão de casos com muitas pessoas da sociedade portuguesa. O Ministério Público está a exercer as suas funções, não é por isso que as pessoas são mais ou menos sérias", disse.

Feliciano Barreiras Duarte deveria ter hoje presidido à Comissão de Trabalho e Segurança Social, que ouviu o ministro das Finanças Mário Centeno, mas não compareceu, tendo a reunião sido presidida pela vice-presidente, a deputada do PCP Rita Rato.

"A substituição no funcionamento das comissões é feita pelo vice-presidente, acontece todos os dias", desvalorizou Negrão, dizendo ter recebido uma justificação do deputado Barreiras Duarte de "natureza pessoal" para a falta que, por isso, não iria reproduzir.

Para Negrão, Barreiras Duarte "é um deputado como os outros, exerce as suas funções".

Na terça-feira à noite, em comunicado, o secretário-geral do PSD reiterou que "nada fez de errado" e que irá "esperar serenamente" os resultados do inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República ao caso do seu currículo.

"Nada fiz de errado no chamado processo de Berkeley; todos os movimentos e ações relacionados com esse caso estão devidamente documentados e são inequívocos quanto à minha inocência; fui convidado para 'visiting scholar' (estatuto que não confere qualquer grau académico) e não me fiz convidado; não tirei qualquer proveito da Universidade de Berkely -- nem financeiro, nem académico, nem profissional, nem político", lê-se num comunicado hoje divulgado por uma agência de comunicação em nome de Feliciano Barreiras Duarte.

O semanário Sol noticiou, no último sábado, que Feliciano Barreiras Duarte teve de retificar o currículo académico para retirar o item que o indicava como professor convidado (visiting scholar) na Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos.

Esta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República remeteu para inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa os elementos que recolheu sobre o caso do currículo do secretário-geral do PSD.