Política

Negrão quer PSD a "falar a uma só voz"

O líder parlamentar do PSD defendeu que o partido tem de "falar a uma só voz" e salientou que, se a bancada é "a primeira linha de ataque" ao Governo, é a direção que define a estratégia.

"Há um tempo discutia-se muito até onde ia a autonomia do grupo parlamentar. Havia quem defendesse que era quase total e que podia, através das suas reuniões, definir as ideias que entendesse. Isso não é de todo verdade, nem pode ser assim", defendeu Fernando Negrão, na intervenção de abertura da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide, distrito de Portalegre.

Para Negrão, se a bancada social-democrata "é a primeira linha de ataque no combate político" ao Governo, que "vocaliza a estratégia" social-democrata, o PSD "tem os seus órgãos, tem a direção do partido, onde é definida a estratégia e onde está representado o grupo parlamentar".

"É fundamental haver uma articulação entre todos os órgãos do partido para que a estratégia esteja afinada e todos falem a uma só voz", apelou, embora salientando que "todos têm uma palavra a dizer".

No final, Fernando Negrão salientou que tal não significa limitar a autonomia do grupo parlamentar, assegurando que continuará a levar as ideias defendidas dentro da bancada aos órgãos nacionais do partido.

"Estamos à beira de eleições, o PSD precisa de se afirmar ainda mais, falar a uma só voz é muito importante", insistiu.

O líder parlamentar do PSD fez um paralelismo entre as regras enunciadas, minutos antes, pelo diretor da Universidade de Verão, Carlos Coelho, e a instituição militar, defendendo que a sociedade portuguesa precisa de conciliar melhor regras de disciplina interiorizadas com uma maior informalidade na relação entre as pessoas.

"Mesmo que haja uma cadeia hierárquica rígida, essa cadeia hierárquica tem de ter capacidade de ouvir as críticas de todos. Só pessoas com regras de disciplina interiorizadas é que têm a convicção para poder criticar olhos nos olhos e dizer o que lhes vai na alma", afirmou.

Na sua intervenção perante os alunos selecionados para a iniciativa de formação política de jovens, Fernando Negrão salientou que, apesar de a social-democracia ter evoluído ao longo do tempo, continua a "lutar por uma sociedade mais justa, mais equilibrada, mais solidária".

"A social-democracia se tiver de privatizar, privatiza, mas a social-democracia se tiver de nacionalizar, também nacionaliza. Não temos de ter complexos por isso", apontou.

Antes, o diretor da Universidade de Verão, o eurodeputado do PSD Carlos Coelho, explicou o funcionamento desta e anunciou que, além das perguntas aos 'professores' e aos convidados da iniciativa, os alunos poderão dirigir questões por escrito a cinco personalidades que não estarão em Castelo de Vide, uma delas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Todas as perguntas serão publicadas na intranet da organização e cada personalidade escolherá duas das questões para responder, que serão publicadas no jornal da Universidade de Verão, o JUV.

Além do chefe de Estado e antigo líder do PSD, responderão de forma diferida às perguntas dos alunos da Universidade de Verão - organização conjunta do PSD, JSD, Instituto Sá Carneiro e Partido Popular Europeu - outro antigo presidente social-democrata e ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o socialista e secretário-geral da Organização Internacional das Migrações, António Vitorino, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, e a jornalista Manuela Moura Guedes.

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