Política

"Ninguém entala o PS". Socialistas chumbam diplomas sobre leis laborais

A esquerda queria alterar matérias como o banco de horas, adaptabilidade e convenções coletivas de trabalho. A direita desafiou o Governo a manter a "estabilidade". PS garante que cai "sempre de pé".

O voto do PS, pela abstenção ou contra, juntou-se ao PSD e ao CDS para chumbar, ao longo de dez votações, na generalidade, os diplomas apresentados pelo PCP, BE e PEV para alteração da legislação laboral em matérias como o banco de horas, adaptabilidade e convenções coletivas de trabalho.

"Somos contra a sua oportunidade, somos contra a forma e, em alguns casos, somos contra o conteúdo", afirmou a deputada do PS Wanda Guimarães.

Apenas um diploma do Bloco de Esquerda sobre adaptabilidade individual e banco de horas individual baixou diretamente à comissão de Trabalho, sem votação na generalidade, já que o Governo do PS prevê introduzir alterações em sede de concertação social.

"Foi claro que o PS deu uma "tampa' à extrema-esquerda", disse, durante o debate, o deputado do CDS Filipe Anacoreta Correia.

Durante a discussão, o PS foi pressionado pela esquerda a aprovar já alterações à lei laboral, e pela oposição (PSD e CDS) a respeitar a estabilidade da legislação do trabalho e a concertação social.

Perante a pergunta mais ouvida "de que lado está o PS?", a Wanda Guimarães reagiu: "Ninguém entala o PS".

"Podem colocar-nos à vontade em cima do muro. Não temos medo das alturas. E temos dado saltos muito positivos e muito seguros em benefício dos trabalhadores e a favor do desenvolvimento do país", declarou a deputada socialista e antiga dirigente da UGT.

Pelo debate, ouviram-se as ironias do CDS desafiando o PS a não mexer no Código de Trabalho "a prestações", lembrando a história da Carochinha e avisando os socialistas que "o João Ratão acabou no Caldeirão".

Já Adão Silva, do PSD, acusou o PCP de estar no "exercício tático de tentar entalar o PS".

Depois do chumbo, Rita Rato do PCP lamentou a "oportunidade perdida" com o voto contra de "PS, PSD e CDS, os três encostados".

A bloquista Joana Mortágua tinha, durante o debate, comparado a precariedade laboral e flexibilidade de horários atuais às "praças de jorna e ao trabalho de sol a sol há 100 anos", lamentando que as alterações fossem "travadas pelo PS e as direitas encostadas".

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