Novos passes sociais são "a maior reforma estrutural que o Governo fez"

A situação das portuguesas casadas com combatentes do Daesh e os novos passes sociais, que entram em vigor já em abril, foram os temas dominantes da Circulatura do Quadrado.

O repatriamento das mulheres portuguesas que se juntaram ao Daesh foi o tema de partida de mais uma noite de debate na Circulatura do Quadrado .

O primeiro a responder ao repto lançado por Carlos Andrade foi Jorge Coelho, que lembrou que todos devem "ter confiança naqueles que têm a responsabilidade de garantir a segurança dos portugueses e a segurança coletiva do Estado português". O comentador do programa com transmissão simultânea na TSF e na TVI24 reiterou que não só confia, como tem a certeza que "no momento adequado, será tomada a decisão adequada" quanto a estes repatriamentos.

Pacheco Pereira demonstrou, de imediato, discordância em relação a "este tipo de argumentação". O antigo deputado do PSD lembrou que se os envolvidos "são portugueses" e, por isso "responsabilidade do Estado português". Neste sentido, "devem ser tirados de um teatro de guerra" lembrando que os campos de refugiados onde estas mulheres estão detidas não são mais do que "uma continuação do teatro de guerra".

Assim, "devem ser trazidos para cá, deve averiguar-se se cometeram crimes. Não os trazem porque há uma política europeia e há pressões americanas sobre a Europa. Isso não pode por em causa a lei. Se são portugueses, o Estado tem responsabilidade sobre eles", sendo depois necessário averiguar se há ou não crimes cometidos pelos visados.

António Lobo Xavier lembra que Portugal ajudar estas mulheres de combatentes do Daesh "implica um custo brutal". Além disso, "estas mulheres têm de ser julgadas - e isso precisa de uma investigação prévia - e depois de eventualmente cumprirem uma pena que lhes seja aplicada, ou mesmo que não cumprem, têm de ser vigiadas".

"Calcula-se que existam talvez três mil mulheres europeias, não conheço o número de portuguesas. Isso implica uma despesa enorme", lembrou o antigo deputado do CDS antes de estabelecer um paralelismo com a situação dos portugueses na Venezuela.

"Enquanto houver um só emigrante português na Venezuela que queira voltar para Portugal, que não tenha meios e condições, e que Portugal não os tenha conseguido mobilizar, acho absolutamente insultuoso para os contribuintes portugueses utilizar recursos para trazer as mulheres do Daesh", criticou.

Passes sociais "agradavelmente" próximos das eleições?

"Está toda a gente em campanha eleitoral", começou por lembrar Jorge Coelho. Ainda assim, o antigo deputado do PS é claro ao afirmar que os novos passes sociais, que entram em vigor em abril nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são "a maior reforma estrutural que o Governo fez desde que é Governo. E não é um anúncio, isto no mês que vem entra em concreto na vida das pessoas".

Lobo Xavier afirma não ter dúvidas de que a subsidiação destes passes "tem um efeito redistributivo e, portanto, de correção de desigualdades", pelo que "em abstrato" é a favor da medida. A preocupação do próprio vem de que em Portugal, estas medidas são tomadas "sem nenhum estudo", ainda que "em termos de núcleos populacionais e números de beneficiários, 80% das pessoas estarão em Lisboa e no Porto."

"Estas coisas não se fazem às fatias, tem de ser ver a coisa do ponto de vista global", relembra.

Pacheco Pereira é claro: "É eleitoral, é completamente eleitoral." Relembrando que, numa democracia, "é suposto que os eleitos tomem as decisões difíceis no princípio do mandato e as fáceis no final", o antigo líder parlamentar social-democrata entende que "a única crítica que se pode fazer a este Governo é de não ter tomado as difíceis no princípio."

"Os partidos da oposição têm uma de duas atitudes: ou consideram que a medida é errada por algum motivo - e devem dizê-lo - assumindo o compromisso eleitoral de que, se forem Governo, terminam com os aspetos que consideram errados ou, se consideram que a medida não é errada, independentemente de ser em ciclo eleitoral, apoiam-na", concluiu.

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