Política

PS celebra Mário Soares com um ciclo de conversas sobre o homem e o legado

São quatro sessões organizadas pelo PS, sobre temas como a resistência ou a vocação europeia. No dia em que Soares faria 93 anos, a TSF falou com Fernando Rosas, um dos convidados para a conversa.

"Celebrar Mário Soares". É este o título do ciclo de conversas organizadas pelo Partido Socialista para, segundo o partido, "evocar a memória e o legado" do antigo primeiro-ministro e presidente da República, que faria hoje 93 anos e cujo desaparecimento se assinala no próximo mês de janeiro.

São quatro sessões de conversa, abertas a todos, na sede nacional do PS, em Lisboa, onde irão marcar presença várias personalidades que conheceram de perto Mário Soares - e durante as quais se irá falar de temas como: o legado; a construção da democracia; a vocação europeia; e a resistência.

É a propósito desse tema, essa visão e esse período da resistência, que irá falar, na primeira sessão, Fernando Rosas: "Será uma conversa para homenagear Mário Soares como resistente. Como resistente da ditadura".

Em declarações à TSF, o historiador abre o livro sobre a conversa, na qual terá como parceiros Mário Mesquita e José Pacheco Pereira, e lembra o papel de resistente daquele que viria mais tarde a liderar os socialistas e os destinos do país.

"Ele deixa-nos um legado de grande coragem cívica, porque, atenção, ele não se limitou a ser um homem político, ele foi advogado de defesa de presos políticos do Tribunal Plenário, durante o Estado Novo, foi um homem que conheceu o exílio, conheceu inúmeras vezes a prisão e, portanto, é uma figura típica da resistência", afirma Fernando Rosas.

Uma personalidade que, defende o historiador, será para sempre lembrada como figura incontornável da segunda história portuguesa do século XX, ao lado de "homens como Afonso Costa, Salazar ou Álvaro Cunhal", que, define o historiador, são "controversos, com sombras e luzes, como todas as figuras desses homens muito marcantes" para a vida política do país.

No caso de Mário Soares, vinca Fernando Rosas, há "o homem da resistência, o homem da luta pela liberdade e o homem que não aceita a opressão".

A primeira conversa, intitulada "a resistência", está marcada para o dia 14 de dezembro. Em janeiro, nos dias 11, 18 e 25, decorrem ainda conversas sobre "a construção da democracia", com as participações de Freitas do Amaral, Manuel alegre e Carlos Brito; sobre "a vocação europeia", com Augusto Santos Silva e António Vitorino; e sobre "o legado" deixado por Mário Soares, numa conversa que terá como oradores José Manuel dos Santos, Sérgio Sousa Pinto e Duarte Cordeiro.

Quanto ao legado, defende Fernando Rosas, tem como um dos pontos altos a Fundação Mário Soares.

"Uma fundação de intervenção cultural, com um arquivo muito importante, com uma atividade muito importante nas antigas colónias e um esteio muito importante na memória cívica e na memória histórica do país nestes últimos anos", sublinha.

Um legado deixado por Mário Soares que, admite Fernando Rosas, satisfaz também os historiadores e investigadores: "Um contributo essencial para o trabalho dos historiadores", frisa o historiador e primeiro diretor científico da Fundação Mário Soares.

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