Política

PS: "É possível que as nossas previsões não se venham a confirmar"

Carlos César acredita, no entanto, que o "ritmo de crescimento da economia vai aumentar".O líder parlamentar socialista elogia Marcelo e desafia o PSD a garantir votos para que haja presidente do CES.

Carlos César admite que as previsões económicas do Governo podem falhar. Entrevistado pela TSF, o líder parlamentar do PS afirma que os socialistas estão a fazer o possível. Mas ainda não chega.

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"Nós temos todos a consciência, a começar pelo PS e pelo Governo de que aquilo que estamos a fazer é insuficiente e muito condicionado. Trabalhamos sabendo que não estamos a fazer tudo o que gostaríamos de fazer mas que estamos a fazer tudo o que podemos fazer".

A menos de um mês da apresentação do Orçamento do Estado para 2017, o presidente do PS, cargo que acumula com a liderança da bancada socialista, mostra-se satisfeito com o andamento das negociações com a esquerda parlamentar. Carlos César considera que "o caminho foi facilitado" pelo trabalho de preparação e aprovação do OE 2016.

Uma semana depois de o BE ter reclamado acordo com o PS para a tributação de imóveis acima de 500 mil euros, César sublinha que "não há nenhum acordo específico fechado" e que "cabe ao Governo apresentar a proposta e depois aos partidos se pronunciarem".

O PS assume que as contas apresentadas no anterior Orçamento não estão a encontrar eco na atual conjuntura mas acredita numa reversão que faça aumentar o "ritmo do crescimento da economia".
"É possível que as nossas previsões não se venham a confirmar mas temos alguns indicadores que são prometedores", diz Carlos César.

No cenário atual pesam os "compromissos externos que obrigam à preservação de indicadores como o défice" mas o líder parlamentar do PS não acredita que a União Europeia penalize Portugal com a suspensão de fundos comunitários. "Seria uma decisão surpreendente", defende César.

Para o PS, seis meses de presidência de Marcelo Rebelo de Sousa permitem concluir que o mandato "tem sido reconfortante para a estabilidade política e social" mesmo que sejam "frequentes as considerações sobre a atualidade política, económica e social, o Presidente da República tem circunscrito a sua palavra às suas competências próprias", diz Carlos César. "Outra coisa não se esperava de quem antes de ser Presidente foi um ilustre constitucionalista", sublinha o líder da bancada do PS.

A reunião do Conselho de Estado convocada para o dia 29 de setembro não é visto como "uma pressão" porque é um órgão que aconselha o Presidente "não os Conselheiros".

PS desafia PSD a cumprir compromisso de eleger presidente do CES

Ainda à espera do agendamento de nova votação para a presidência do Conselho Económico e Social, o PS desafia o PSD a garantir os votos para eleger Correia de Campos. "Nós estamos justamente dependentes do PSD gerar condições internas para cumprir a sua palavra. A questão deve ser colocada àqueles que, por circunstâncias várias, não puderam cumprir o compromisso que tinham. Foi com o PSD que fizemos o acordo para esta eleição, aliás como a eleição para outros órgãos. Não fizemos com outros partidos políticos", sublinha Carlos César.

PS e PSD vão falar em breve para tentar ultrapassar o falhanço da última votação de julho quando o nome de Correia de Campos, antigo ministro da Saúde nos governos do PS não conseguiu reunir os 147 votos favoráveis.

Correia de Campos só conseguiu reunir 105 votos a favor entre os 221 deputados que votaram. Houve 93 votos em branco e 23 nulos.