"PS não teve destino dos outros porque António Costa recusou ser bengala da direita"

Augusto Santos Silva esteve esta quinta-feira na Circulatura do Quadrado e falou sobre a forma do PS fazer política, os cenários mais prováveis para o Brexit e revelou ainda os números mais recentes dos regressos de portugueses vindos da Venezuela.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considera que o sucesso do PS face a outros partidos do mesmo quadrante político na Europa se deve a uma razão "muito simples."

No programa transmitido na TSF e na TVI 24, o ministro foi confrontado com as palavras de Pacheco Pereira, que defendeu que o "modelo económico da Troika não é muito diferente do do Governo do PS", cuja base "é cumprir regras europeias."

Na resposta, Augusto Santos Silva defendeu que é possível "fazer políticas diferentes" sem sair da Zona Euro e que o PS não teve o mesmo desgaste que outros partidos socialistas europeus porque "em 2015, António Costa recusou ser a bengala de um Governo da direita. Essa é que a questão essencial. Até agora tem evoluído bem e tem mostrado que não era sair deste quadrado - da Zona Euro - para fazer políticas diferentes."

Sobre a política externa e temas como o Brexit e a Venezuela - que Lobo Xavier acredita que vão dificultar as relações futuras do PS com PCP e o BE - Santos Silva abordou os últimos desenvolvimentos de ambos os processos.

Em relação ao Brexit, e questionado acerca dos cenários mais prováveis, o ministro reconheceu que "hoje estávamos mais próximos da aprovação do acordo ou de um adiamento da data de saída, se o acordo não for aprovado pelo Parlamento. Isto em função das decisões do próprio Parlamento britânico" que esta semana aprovou uma nova estratégia de negociação.

Já sobre a situação na Venezuela, Santos Silva relembrou que "recebemos, até agora, cerca de 10 mil luso venezuelanos e uns três mil venezuelanos. Segundo os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, há cerca de três mil venezuelanos residentes em Portugal, e haverá cerca de seis mil portugueses e filhos de portugueses que regressaram à Madeira e uns quatro mil ao continente que, aliás, estão bastante bem integrados, seja do ponto de vista de emprego, seja do ponto visto de escolas."

Ainda assim, o ministro dos Negócios Estrangeiros relembrou que "o número de portugueses e descendentes de portugueses na Venezuela é na ordem das centenas de milhar" e que "o mais importante é que a Venezuela encontre um caminho", até porque muitos destes portugueses "estão ligados ao pequeno comércio ou à média distribuição."

Sobre a capacidade destes portugueses e lusodescendentes enfrentarem uma guerra civil, Augusto Santos Silva preferiu apenas destacar que esse "é um cenário que devemos evitar a todo o custo."

Ouça aqui o programa completo.

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