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Seja do PSD ou do PS, não repugnaria a ninguém votar em Marcelo

Carlos César e David Justino estão de acordo: o Presidente da República é "popular, mas não é populista" e pode ser feliz num próximo mandato.

O afeto de Marcelo Rebelo de Sousa parece ter poderes unificadores, capaz de abraçar tanto sociais-democratas como socialistas.

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O Presidente da República foi matéria de consensos no programa Almoços Grátis desta quarta-feira, como David Justino e Carlos César a fazer um balanço positivo dos últimos três anos.

David Justino lembra que trabalhou durante quase dez anos com Cavaco Silva, mas não poupa em elogios ao atual Presidente.

Carlos César assume que terá de se manter em linha com a posição do PS nas próximas presidenciais, mas questionado se não se sentiria "repugnado" por votar em Marcelo Rebelo de Sousa, como disse João Soares também no Almoços Grátis , a resposta parece óbvia: "Evidentemente que não me repugnaria."

O primeiro diz que Marcelo "é ser popular sem ser populista", o segundo quase lhe repete as palavras, diz que o chefe de Estado "é popular sem a retórica populista".

Para David Justino, Marcelo Rebelo de Sousa "quis marcar uma diferença clara face ao mandato anterior", não só para se distinguir do sucessor, mas também para estabelecer uma mudança de conjuntura política e cultura. Foi capaz de "criar um desanuviamento que foi útil para a sociedade portuguesa".

Parte do seu sucesso, defende o social-democrata, deve-se ao "estilo próprio", uma maneira de estar que nem se iguala à de Mário Soares e provavelmente não se igualará no futuro.

Marcelo é "autêntico" e a sua atuação "quase lúdica" é "genuína". Diz David Justino que o antigo professor e comentador foi fiel à sua natureza enquanto chefe de Estado, "não se travestiu".

Admitindo pontos de discórdia pontuais, uma coisa é indiscutível para o vice presidente do PSD: "nas questões de fundo, Marcelo Rebelo de Sousa tem feito um bom trabalho".

Se para David Justino ainda "não é clarinho", para Carlos César "se não acontecer nada de extraordinário, Marcelo Rebelo de Sousa será recandidato à Presidência da República".

Faz bem, diz Carlos César, em esperar pelas legislativas para o anunciar, até porque as "as condições em que estaremos nas próximas eleições presidenciais podem não ser as mesmas". Esperar é uma atitude "inteligente e racional", concorda David Justino.

Par o socialista, o trabalho de Cavaco Silva e o de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém foram como "uma presidência 'modo noite' e uma presidência 'modo dia'".

Se Marcelo Rebelo de Sousa fosse o único candidato à presidência, brinca, até "seria provável" receber o apoio do Partido Socialista. Até porque, afirma Carlos César, são maioritariamente os eleitores do PSD "que franzem o nariz à forma como Marcelo Rebelo de Sousa exerce o seu mandato".

Da "apreciação positiva" que faz do último mandato presidencial, o presidente da bancada parlamentar do PS aponta a "apenas uma falha", que Marcelo "ainda está a tempo de corrigir", ao falar de um eventual veto à Lei de Bases da Saúde. Afinal de contas, "toda a vida política é feita desse tipo de acidentes".

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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