Incêndios

PSD e CDS: Constança Urbano de Sousa está a mais. Ministra vai ao Parlamento

A ministra da Administração Interna vai responder no Parlamento esta sexta-feira sobre as muitas falhas no fogo de Pedrógão Grande apontadas pela Comissão Técnica.

O PSD considera que o relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios confirma que "o Estado falhou" e apontou como responsáveis a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro, que a mantém em funções.

"O PSD não pede a demissão da ministra da Administração Interna porque o PSD não pede a demissão de nenhum membro do Governo, mas chama a atenção de que, a partir do momento em que temos este relatório nas nossas mãos, é absolutamente impossível que o poder político fique alheado destas conclusões", afirmou o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim, em conferência de imprensa no parlamento.

O social-democrata defendeu ainda que, perante as conclusões do relatório hoje divulgado, "está tecnicamente provado" que "o Estado falhou" e, portanto, deve assumir as suas responsabilidades.

Pelo CDS, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, entende que, perante as conclusões da comissão independente aos incêndios na região centro e as declarações do primeiro-ministro, a ministra da Administração Interna "já está demitida, só não sabe quando".

"Acho que perante este relatório, e perante até as respostas do senhor primeiro-ministro, a senhora ministra da Administração Interna já está demitida, só não sabe é quando", afirmou Nuno Magalhães.

Numa "leitura preliminar" ao relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios ocorridos em junho em Pedrógão Grande e Góis, o CDS entende que ficou "claro que houve falha de planeamento, houve falha de comando, houve falha de ação, houve falha de meios no local certo e no momento certo".

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O PCP defende que é preciso apurar responsabilidades, mas adianta também que não quer tirar conclusões precipitadas e que é necessário "aprofundar" o estudo do relatório.

"Havendo necessidades e havendo falhas elas têm de ser corrigidas, tal como tem de haver um apuramento de responsabilidades", disse o deputado João Ramos, sublinhando que "o PCP não costuma andar a pedir a cabeça deste ou daquele".

Pelo BE, o deputado Pedro Soares considera que o relatório da Comissão Técnica Independente aos incêndios da região Centro revela que houve "em geral" responsabilidades do Estado que "devem ser apuradas" em concreto para indemnizar as vítimas.

Questionado sobre se há responsabilidades políticas a atribuir na sequência das conclusões do relatório, o deputado remeteu uma "posição clara" para o debate que se fará na Assembleia da República sobre esta matéria.

Quanto à "responsabilidade geral", Pedro Soares considerou que "ficaram muito claras" as faltas de intervenção pública no ordenamento e gestão da floresta" e na "desadequação da Proteção Civil em termos de competências e da orgânica".

"É evidente que o Estado tem responsabilidades nesta matéria, vamos ver a que nível e faremos essa apreciação no debate", disse.

Pedro Soares destacou que o relatório expõe um "problema grave ao nível do sistema de proteção civil" e do "ordenamento do território e gestão da floresta" e defendeu que o Estado "tem obrigação de intervir tanto numa área como noutra".

Já o Partido Ecologista "Os Verdes" defendeu o regresso do corpo de Guardas Florestais, no próximo ano, para ajudar a dar resposta à prevenção dos fogos florestais no país.

A posição foi assumida pela deputada Heloísa Apolónia que, num primeiro comentário ao relatório, salientou ainda o facto de a comissão concluir que o incêndio em Pedrógão Grande decorreu de um "fenómeno real de alterações climáticas" e que a resposta "tem que ter em conta essa realidade".

Por outro lado, realça que o relatório técnico hoje tornado público aponta também para as "manchas contínuas de eucalipto", que o PEV quer reduzir, e que "fazem com que os fogos se propaguem de uma forma mais intensa".

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