Relações familiares no Governo? "O anedotário é ter sido Carlos César a vir justificar"

Lobo Xavier critica as justificações do líder do grupo parlamentar socialista, Jorge Coelho diz que este tema é uma manobra de distração contra o sucesso dos novos passes sociais e Pacheco Pereira culpa a "oligarquia" de PS e PSD.

O tema das relações familiares no Governo foi o ponto central da discussão de Lobo Xavier, Jorge Coelho e Pacheco Pereira nesta edição da Circulatura do Quadrado.

Perante o cenário vindo a público, António Lobo Xavier começou por fazer notar que "a nota de verdadeira risota, o anedotário, é ter sido Carlos César a vir justificar. Ele que tem um filho na política, a mulher empregada no Governo Regional dos Açores, a nora exatamente a mesma coisa e ele é o que é. Veio dar uma justificação que, se não fosse cínica era realmente de uma galhofa espantosa, que é a de que não acha estranho que em certas famílias exista uma predisposição para o sobressalto cívico e, portanto, para a obtenção de lugar públicos", reforçando que a sua ideia é de protesto.

Perante estes argumentos, o moderador do programa com transmissão simultânea na TSF e na TVI24, Carlos Andrade, quis saber que "esta teia de relações" não será excessiva.

Coube a Jorge Coelho responder com outras perguntas: "Quando se constitui um Governo, não há uma teia de relações? O Governo apareceu ali e por um mero acaso... há um primeiro-ministro?"

De seguida, o antigo deputado do PS atacou a tese discutida: "Não sejamos líricos, tudoisto é discutido nestes termos por estarmos em campanha eleitoral, senão isto não tinha nem um décimo da discussão que tem."

Este ainda não era, no entanto, o ponto central da argumentação de Jorge Coelho, que acabou por defender que esta era uma forma de desviar as atenções dos novos passes sociais.

"Não é só por estarmos em campanha eleitoral. É a consequência do impacto brutal que teve na sociedade a questão dos passes sociais. Tinha que ser encontrado algo que fizesse frente à melhor e mais profunda medida que o Governo tenha feito. Dir-me-ão - e estou de acordo - que se não existisse este tipo de questões à volta da governação, o impacto que ela teve era melhor. Era. Mas temos de ser justos nesta matéria, não é nada de relevante no funcionamento do país", defendeu.

Pacheco Pereira quis "poupar tempo" e, portanto, optou por dizer, à partida, quais os pontos em que concordava com cada um dos colegas de painel. "Concordo que isto é uma questão de campanha eleitoral. Há, claramente, uma campanha eleitoral de direita que, como não consegue criticar muitos aspetos da política económica do Governo - porque está de acordo com eles - pegou nesta questão. E concordo com o Lobo Xavier que isto é um problema efetivo e as explicações são absolutamente absurda. É gente que parece frágil", atirou.

Sem querer comentar o que Rui Rio disse acerca deste assunto, Pacheco Pereira criticou a posição dos dois maiores partidos. "É um problema que vai tornar-se ainda mais grave. Tem a ver com a oligarquia dos dois partidos, principalmente os grandes partidos que têm acesso ao poder. A oligarquia dos dois partidos é cada vez mais encolhida. Cada vez mais tem carreiras interiores dentro da política. E, cada vez mais, tem a endogamia que tem a ver com essas carreiras. Isso é que é o problema de fundo, a capacidade dos partidos se abrirem para fora das famílias, para fora dos conhecimentos, para fora das 'jotas', para fora do tipo de carreiras mais ou menos estandardizadas é cada vez menor."

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