Santana Lopes

Se caso das faltas de José Silvano for verdade "é gravíssimo"

Pedro Santana Lopes diz que não lhe "passa pela cabeça" que alguém diga que "esteve presente num sítio onde não esteve".

Pedro Santana Lopes comentou esta quinta-feira o caso das faltas do deputado e secretário-geral do PSD José Silvano. Recusando-se a referir o caso concreto, o ex-primeiro-ministro diz que tudo se resume a "uma questão de princípio":

"A Aliança censura qualquer forma de comportamento indevido, nomeadamente ao mais elevado nível do Estado, que se traduza na violação dos deveres de seriedade, de honestidade", disse Santana Lopes em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, no final da audiência com Marcelo Rebelo de Sousa.

"O próprio deputado nega que tenha feito algo de indevido [diz] que alguém terá feito por ele. Não sei. Cabe às autoridades competentes mais uma vez, coitadas não param, têm muito trabalho, investigar."

"A mim não me passa pela cabeça - já exerci muitas funções públicas, privadas - que alguém seja remunerado ou diga que esteve presente num sítio onde não esteve. Ainda mais quando está a representar, que é algo de sagrado, os seus concidadãos".

O presidente do novo partido Aliança foi esta quinta-feira recebido pelo chefe de Estado, a quem disse que este novo partido veio para "viabilizar soluções de Governo", como "uma força construtiva, trabalhando pela afirmativa".


No sábado, o Expresso noticiou que José Silvano assinou as folhas de presença de 13 reuniões plenárias realizadas em outubro, apesar de em pelo menos um dos dias ter estado ausente .

O próprio admitiu ao semanário que na tarde de 18 de outubro esteve no distrito de Vila Real ao lado de Rui Rio. Apesar disso, alguém registou a presença do secretário-geral social-democrata logo no início da sessão plenária, quando passavam poucos minutos das 15h00.

A TSF contactou o grupo parlamentar do PSD e o deputado José Silvano mas não obteve qualquer justificação para a ausência.

Esta terça-feira, depois de Ferro Rodrigues ter questionado os serviços do Parlamento sobre o fundamento da notícia, foi confirmado que "outra pessoa" teria utilizado a palavra passe de José Silvano para registar a presença.

Ao final do dia, o deputado emitiu um comunicado onde afirmava ter pedido ao Presidente do Parlamento que lhe "fossem marcadas as respetivas faltas".

José Silvano fala "na existência de uma prática parlamentar que permite conciliar a atividade política intensa dos dirigentes nacionais dos partidos políticos, nunca descurando as questões relevantes para o país, com a atividade parlamentar quotidiana."

A propósito das senhas de presença que José Silvano recebeu pelos dias em que não participou nos trabalhos parlamentares, o deputado garante que nunca se quis aproveitar "dos dinheiros públicos".

É por isso que pede agora ao Presidente da Assembleia da República "que fossem marcadas as respetivas faltas", acrescentando ainda que justificou "também as razões para que tal procedimento não tivesse ainda ocorrido."

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