Tancos: Ex-líder da Judiciária Militar garante que Marcelo "disse que ia falar com a PGR"

Em causa estava o "pasmo" da PJM sobre a decisão de Joana Marques Vidal de entregar à Judiciária a liderança das investigações sobre o furto de armas em Tancos.

Foi uma promessa que o antigo diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) diz ter ouvido do Presidente da República, a 4 de julho de 2017, num encontro nas instalações militares de Tancos, com várias testemunhas, incluindo o anterior ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

"Depois de eu ter insistido que considerava esta decisão da Sra. Procuradora Geral da República violadora de três leis da Assembleia da República, ele disse que ia falar com a PGR e deu um conselho ao ministro da Defesa para falar com a sua colega, a ministra da Justiça, Não sei se falou ou não", relatou o coronel Luis Vieira.

Questionado pelo deputado do CDS António Carlos Monteiro sobre se não tinha consciência que o pedido feito ao Presidente era "perigoso face ao enquadramento constitucional", o antigo responsável pela PJM respondeu que "o pasmo e a desconsideração" (da decisão de Joana Marques Vidal de entregar a liderança das investigações à Judiciária) o "levaram a isso".

"Assumo essa responsabilidade", disse várias vezes, Luis Vieira, recordando que "estarem todos elementos da Judiciária Militar à espera que fizesse alguma coisa", contribuiu para a decisão.

Na audição, o coronel Luís Vieira contrariou o major Vasco Brazão, também da PJM, considerando que a operação para recuperar o material "não foi uma encenação" mas "uma recuperação", sublinhando que continuam desaparecidas "munições de 9 milímetros", que teriam sido o principal móbil do furto.

Durante as audições na comissão de inquérito, foram várias as críticas ouvidas a Luís VIeira. A antiga PGR, Joana Marques VIdal disse que a PJM não fez "uma leitura" adequada "da lei e das suas obrigações" e disse quesoube da recuperação das armas em outubro de 2017, na Chamusca, pela comunicação social, sem ter conseguido que Luís Vieira lhe atendesse o telefone. hoje, o coronel justificou que anteriores conversas com a ex-PGR foram "muito difíceis".

Luís Vieira está agora em liberdade, depois de ter estado cinco meses em prisão preventiva no âmbito da operação Húbris.

Esta operação resultou de dois inquéritos: ao furto ao paiol de Tancos e ao achamento das armas e explosivos em outubro de 2017.

Presidência esclarece

Numa nota publicada no site da Presidência, pode ler-se que "como o Presidente da República já disse várias vezes, no final da visita a Tancos, o então Ministro da Defesa trouxe para junto de si o então Diretor da Polícia Judiciária Militar", Luís Vieira.

Segundo o esclarecimento, "o Presidente da República disse-lhe que haveria de o receber oportunamente, audiência que acabou por nunca se realizar".

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