Tancos

CDS propõe, PSD pondera e PS não se opõe a comissão de inquérito sobre Tancos

Centristas vão propor no parlamento a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, defende que a prioridade deve ser "ponderar bem se este é o tempo certo" para avançar com uma comissão de inquérito sobre o furto de armas de Tancos, proposta esta terça-feira pelo CDS-PP.

"No dia em que ocorrem desenvolvimentos significativos na investigação, a prioridade deve ser no sentido de ponderar bem se este é o tempo certo para avançar com uma comissão parlamentar de inquérito. Feita essa ponderação, o PSD decidirá", afirmou Fernando Negrão, numa declaração enviada à Lusa, depois de questionado o grupo parlamentar sobre a posição dos sociais-democratas.

O CDS-PP anunciou esta terça-feira que vai propor , no parlamento, a criação de uma comissão de inquérito sobre o furto de armas dos paióis de Tancos, em junho de 2017.

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, justificou a proposta com a necessidade de apurar "responsabilidades políticas" neste caso, em que acusou o Governo de "omissões e contradições", numa conferência de imprensa, na Assembleia da República.

A proposta dos centristas surge depois de a Polícia Judiciária ter detido hoje militares da Polícia Judiciária Militar e da Guarda Nacional Republicana e um outro suspeito e realizado buscas em vários locais nas zonas da Grande Lisboa, Algarve, Porto e Santarém, âmbito do caso do furto de armas em Tancos.

Na conferência de imprensa, o líder parlamentar democrata-cristão referiu não ter falado com os restantes partidos sobre a proposta de inquérito e que apresentará o texto com os fundamentos "brevemente", provavelmente no prazo de 48 horas.

Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República divulgado ao final da manhã, no inquérito no qual decorreram as detenções realizadas hoje "investigam-se as circunstâncias em que ocorreu o aparecimento, em 18 de outubro de 2017, na região da Chamusca, de material de guerra furtado em Tancos".

Em causa, adianta o comunicado, estão "factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas".

PS não se opõe a comissão

Na noite desta terça-feira, o líder parlamentar do PS, Carlos César, revelou em entrevista à RTP3 que o partido não se oporia a uma eventual comissão de inquérito.

"O PS, em regra, aceita as propostas dos partidos políticos no sentido de serem formadas comissões de inquérito", explicou Carlos César, acrescentando que o PS não quer poder ser acusado de "obstruir quaisquer investigações".

A proposta do CDS foi bem recebida pelos socialistas e o líder parlamentar garante que, "se a Procuradoria-Geral da República não entender que uma comissão a cargo de uma comissão de inquérito parlamentar não prejudicará a investigação" então o PS não se opõe à realização da mesma.

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