Política

UGT acredita num acordo sobre legislação laboral

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defende que sindicatos e patrões devem "agarrar a oportunidade" para não permitir que seja o parlamento a tomar decisões.

Prestes a comemorar cinco anos como líder da UGT, no dia 21, e numa altura que estão em discussão as medidas do Governo de combate à precariedade e de dinamização da contratação coletiva, Carlos Silva defende um entendimento entre os parceiros sociais, apesar das posições divergentes já assumidas pela CGTP e pelas quatro confederações patronais.

Entrevistado pela agência Lusa, Carlos Silva diz que "no início" da atual solução governativa houve "algum temor sobretudo por parte dos empresários" de que a Concertação Social perdesse força, nomeadamente quando o executivo avançou sozinho com o aumento do salário mínimo acordado com o Bloco de Esquerda.

Porém, para o líder sindical, o conjunto de medidas laborais apresentado agora pelo Governo aos parceiros sociais "veio dar um contributo muito importante para dinamizar o papel da Concertação Social no país".

Para Carlos Silva, o Governo, "de uma forma inteligente", decidiu penalizar as empresas com excesso de rotatividade de trabalhadores ao criar uma taxa anual sobre os empregadores que, a ser aplicada, "só o será no final de 2019".

Em relação à negociação coletiva, Carlos Silva lembrou que a UGT apoia a manutenção da norma da caducidade, mas esta "não pode servir como arma de arremesso e de intimidação dos sindicatos e dos trabalhadores", pelo que tem de ser fundamentada e com regras.

Nesta entrevista, O líder da UGT recusa ainda que o défice seja "um elemento sacrossanto" e defende que o Governo devia definir uma meta menos ambiciosa para este ano, que permitisse aumentar a função pública e evitar assim "uma guerra com os sindicatos".

Para o líder da UGT, "se o défice ficasse outra vez este ano em 0,9%, o que seria uma grande meta", o Governo teria uma margem de "400 milhões de euros" para atualizar os salários dos trabalhadores do Estado.

Carlos Silva diz ainda não estar satisfeito com o ritmo de reversão das medidas da 'troika' e sublinha que o anúncio do Governo de que não haverá aumentos para a administração pública em 2019 "foi um tiro no pé" do ministro das Finanças, Mário Centeno.