Política

Um gabinete por um canudo

O antigo secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Wengorovius Meneses, confessa à TSF que só nos últimos dias no governo soube da mentira de Nuno Félix, um chefe de gabinete "imposto".

"A questão das licenciaturas nunca foi uma questão decisiva para a minha saída", assume o antigo secretário de Estado da Juventude e Desporto.

João Wengorovius Meneses confessa que "só soube (da mentira) dois ou três dias antes de sair que Nuno Félix não tinha uma licenciatura", isto numa altura em que já não falava com o ministro e no momento em que Tiago Brandão Rodrigues já tinha respondido "por mail que não aceitava a exoneração do meu chefe de gabinete".

Uma exoneração que João Wengorovius Meneses tinha solicitado depois de ter perdido a confiança num chefe de gabinete escolhido pelo ministro.

"Recebi o chefe de gabinete em boa fé", mas com o passar dos dias a relação degradou-se e "quando comunico ao ministro a intenção de substituir o chefe de gabinete o ministro impede-me de o fazer".

Em declarações à TSF, o anterior secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Wengorovius Meneses explicou que "a razão principal para querer substituir Nuno Félix na função de chefe de gabinete era a sua impreparação para a função."

"Eu não tinha total confiança politica nele e não sentia total lealdade da parte dele, a toda a prova", sublinha.

João Wengorovius Meneses adianta que "na reta final. Nos últimos dias que antecederam a minha saída tomei conhecimento de aspetos que agravaram os motivos" de desconfiança inicial. "Houve uma terceira dimensão que foi o facto de eu tomar conhecimento que ele não tinha uma licenciatura", como afirmava.

"Tive conhecimento disso (da mentira) por via da minha jurista. Mas, nunca comuniquei formalmente ao ministro o facto de Nuno Félix não ter uma ou duas licenciaturas".

João Wengorovius Meneses diz mesmo que pensou que o assunto estaria encerrado com o fim das suas funções no governo, porque quando sai um governante sai todo o gabinete, mas neste caso, o chefe de gabinete, Nuno Félix, foi reconduzido pelo novo secretário de Estado, João Paulo Rebelo