eleições europeias

"Vamos ter uma campanha em que seguramente haverá muito lixo"

A coordenadora do Bloco de Esquerda antecipa uma campanha das eleições europeias onde pessoas sem projetos "discutem tudo menos o essencial".

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considera que as próximas eleições europeias, que estão agendadas para 26 de maio, vão ficar marcadas pelas fake news. O alerta foi deixado pela dirigente bloquista este domingo no encerramento da conferência Inconformarão, que juntou 150 jovens de todo o país durante dois dias em Carregal do Sal, no distrito de Viseu.

"Vamos ter uma campanha em que seguramente haverá muito lixo. Haverá muitos ataques descabelados, muitas mentiras a circular, temos visto isso a crescer em vários países e chega a Portugal também. Quem não tem programa, quem não tem projeto precisa de inventar lixo para esconder a falta de projeto ou quem tem um projeto que não pode dizer a ninguém", defendeu.

Para além do que caracterizou como "lixo", a líder do Bloco disse que na campanha rumo ao parlamento europeu vai discutir-se "tudo menos o essencial", salientando que a população nem sempre vai perceber do que é que os candidatos estão a falar.

Catarina Martins deu como exemplo o cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, que se afirmou como um europeísta. "O que é que quer dizer europeísta? O problema não é se somos europeísta ou não, europeus somos seguramente, o problema é que Europa queremos? Que país é que queremos? Para onde é que vamos", vincou.

Os jovens presentes na sessão escutaram ainda a dirigente bloquista a apontar o dedo a António Costa, secretário-geral do PS e primeiro-ministro, que defendeu um aumento dos impostos para financiar o orçamento europeu.

"Ouvimos António Costa dizer que a Europa precisa de mais orçamento, muito bem, mais orçamento para que? Qual é a política que queremos fazer com esse mais orçamento? Porque se for mais para Parcerias Públicos Privadas se calhar é melhor não, já tivemos disso o suficiente", referiu.

O candidato do CDS, Nuno Melo, também não foi poupado nas críticas por querer menos impostos, no que Catarina Martins considerou uma má ideia.

"O que precisamos é de equilibrar a balança. O que precisamos é de ir cobrar impostos aqueles que fogem para que quem trabalha não tenha que pagar tanto e para que possamos ter o estado social de que precisamos e as infraestruturas de que precisamos", sustentou.

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