"Visões diferentes sobre Direitos Humanos não impedem o diálogo político"

No balanço da visita oficial à China, o Presidente da República voltou a ser confrontado com a questão dos Direitos Humanos neste país. Antes, passou pela Escola Portuguesa de Macau.

É ponto de paragem obrigatório para qualquer Presidente de Portugal que passe por Macau. E já foram alguns a descerrar lápides na Escola Portuguesa do território. Marcelo foi mais um a ficar com o nome inscrito nas paredes desta escola, mas marcou, claramente, a diferença face ao antecessor - Cavaco Silva -, que também por aqui passou. O palco, que é um dos seus habitats naturais, serviu para fazer rir um ginásio cheio de alunos, pais e professores, colocou toda a gente a gritar em uníssono pela Escola Portuguesa de Macau e arrancou várias salvas de palmas ao Presidente.

Marcelo aproveita a oportunidade para anunciar que a escola vai ser ampliada, uma reivindicação antiga que só agora teve luz verde para avançar. Ouviu música, viu dança, condecorou a equipa de futebol, fez tudo o que estava no guião e ainda improvisou um pouco.

Ensino do português alargado

Num contexto bem diferente, numa sala de imprensa preparada pelo protocolo no Consulado para fazer o balanço desta viagem de seis dias à China, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou uma outra novidade: "Tivemos conhecimento, ainda em Pequim, que até ao final do ano haverá 48 universidades a ensinar português em toda a China e que, só aqui, em Macau, há 45 escolas primárias e básicas a ensinar português", adianta. Fazendo as contas, significa que a China terá em breve 6.600 alunos de português no básico e secundário, e 1.600 no ensino superior. Marcelo garante que, neste momento, "há mais alunos e pessoas a falar português do que havia no tempo da transição".

Mais discutível parece ser a nova lei do regime chinês, que obriga todos os alunos - incluindo os portugueses -, que estejam a aprender mandarim, a assistir, uma vez por semana, ao içar da bandeira chinesa. O Presidente da República lembra que, em Macau, "como noutras escolas portuguesas noutros países, há regras que as escolas seguem" e assegura que, até ao momento, não lhe chegou qualquer "eco da parte da direção da escola" de qualquer "problema, objeção ou dúvida do que deveria fazer".

Direitos Humanos dividem, mas não impedem

Na conferência de imprensa final de balanço, Marcelo não só classificou as relações entre Portugal e China de "excelentes", como foi mais longe, ao afirmar que elas estão no "nível mais alto que podem estar". E estão ao nível da parceria e não de uma aliança.

Até porque, com os aliados, partilhamos valores que Portugal e a China, claramente, não partilham. Valores como os dos Direitos Humanos, uma área em que Marcelo reconhece que há "visões diferentes". O que não significa, ou "não impede", como diz o Presidente da República, "o diálogo político ao mais alto nível" entre estes dois países. Marcelo assegura, ainda assim, que Portugal nunca deixará de "afirmar os seus valores constitucionais".

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