António Costa aceitou demissão de João Soares. "Teria sido um grande ministro"

Em comunicado, o ministro da Cultura invocou razões de solidariedade com o executivo. O primeiro-ministro diz que João Soares teria sido "um grande ministro".

"Naturalmente respeito e aceito a avaliação que ele fez das condições que tinha para prosseguir no exercício destas funções. Queria agradecer toda a colaboração que ele deu, a energia, o empenho que colocou e nos próximos dias entregarei ao sr. Presidente da República um nome de uma personalidade que substituirá o João Soares."

Foi assim que António Costa comunicou que aceitou o pedido de demissão apresentado pelo ministro da Cultura, João Soares. O primeiro-ministro elogiou o trabalho de João Soares: "tenho a certeza que se tivesse tido de desenvolver o seu trabalho durante quatro anos teria sido reconhecido pelo país todo como um grande ministro da Cultura. As coisas são como são, a mim cumpre-me simplesmente respeitar a avaliação que ele faz e aceitar o pedido que ele me apresentou."

A declaração do primeiro-ministro aos jornalistas, em que António Costa diz que João Soares "teria sido um grande ministro"

00:0000:00

No comunicado, João Soares anuncia e justifica a decisão. "Torno público que apresentei esta manhã ao senhor primeiro-ministro, António Costa, a minha demissão do XXI Governo Constitucional. Faço-o por razões que têm a ver com a minha profunda solidariedade com o Governo e o primeiro-ministro, e o seu projeto político de esquerda".

Nesta nota, o ministro da Cultura sublinha ainda "o privilégio que representou" ter integrado este Governo, "e ter trabalhado com o primeiro-ministro, a quem agradeço a confiança. Demito-me também por razões que têm a ver com o meu respeito pelos valores da liberdade. Não aceito prescindir do direito à expressão da opinião e palavra".

O pedido de demissão surge um dia depois de João Soares ter prometido "salutares bofetadas" aos cronistas do Público Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente na página do Facebook. Horas depois, João Soares reagiu à polémica. Em declarações ao Expresso, através de SMS, João Soares garantia: "Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Não reagi a opiniões, reagi a insultos. Peço desculpa se os assustei."

Logo na quinta-feira à noite, também o primeiro-ministro pediu desculpa aos cronistas e disse que os ministros, "nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo".

Pouco antes de ser conhecido o pedido de demissão do ministro da Cultura, o PSD requereu a audição parlamentar de João Soares, considerando que as declarações proferidas colocam em causa o princípio da liberdade de expressão. No requerimento é ainda solicitada a audição do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da diretora do jornal Público, Bárbara Reis.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de