Jornal de Angola acusa Pedro Mexia de"destilar arrogância neonazi" contra o país

A crítica está no editorial de hoje. Na segunda-feira o jornal angolano teceu rasgados elogios a Paulo Portas por causa do discurso de despedida da liderança do CDS-PP.

O Jornal de Angola dedicou os últimos dois editoriais às relações com Portugal, entre o elogio à "lucidez e inteligência" do ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas e a crítica à designação de Pedro Mexia para consultor do Presidente da República.

No editorial de hoje, o jornal detido pelo Estado angolano volta à polémica em torno da candidatura de Portugal ao cargo de secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que Angola e outros governos dizem violar um acordo de princípio.

No texto, dedicado ao papel de mediação do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que discursou na Nigéria falando sobre o período do 'apartheid', o jornal critica a designação de Pedro Mexia para consultor de Marcelo Rebelo de Sousa para a área cultural.

"Quando hoje países como Portugal se apresentam como mediadores da relação entre África e a Europa e procuram virtudes democráticas na CPLP, ao mesmo tempo que escolhem para consultores presidenciais indivíduos como Pedro Mexia, que destilava nas televisões a sua arrogância neonazi contra Angola, é bom ouvir alguém recordar os exemplos práticos de solidariedade evidenciados pela Nigéria [no discurso de Zuma]", lê-se.

Em contraponto, no editorial da edição de segunda-feira, já totalmente dedicada a Portugal e às palavras de Paulo Portas na despedida da liderança do CDS-PP, quando falou sobre a necessidade de evitar "a tendência para a judicialização da relação entre Portugal e Angola", o jornal classifica a posição como vindo "de um político com ideias fundadas na experiência e maturidade relativamente ao modo mais justo e adequado de conduzir as relações entre Estados".

"Salvaguardando não apenas os interesses bilaterais mas, acima de tudo, respeitando as mais elementares normas do direito internacional", lê-se no editorial de segunda-feira, intitulado "O apelo de Paulo Portas", com várias referências ao processo de investigação em Portugal envolvendo o vice-Presidente angolano, Manuel Vicente, e à "judicialização das relações" entre os dois países.

O jornal sublinha que "da parte de Angola e dos angolanos, sempre houve disponibilidade e abertura para manter com Portugal uma relação franca, aberta e na base do respeito mútuo e pela soberania dos dois povos", que "possuem laços culturais e partilham afetos que datam de longos anos de convivência".

"Todavia nem sempre há, da parte de Portugal, a compreensão necessária para aceitar e respeitar mudanças que a História ditou. Ou melhor, nem sempre há a lucidez e inteligência que Paulo Portas verteu na sua mensagem e que, entendemos, tem destinatários muito específicos", acrescenta o editorial.

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, apelou no sábado aos órgãos de soberania para evitarem "a tendência para a judicialização da relação entre Portugal e Angola", considerando-a "um caminho sem retorno" e procurarem "em todas as frentes o compromisso".

"É um apelo dirigido aos órgãos de soberania, porque é deles a atribuição, para terem isto presente, para se lembrarem destes factos, e para, dentro do que a Constituição dispõe e a lei impõe, evitarem a tendência para a judicialização da relação entre Portugal e Angola - esse seria um caminho sem retorno -,e procurarem em todas as frentes o compromisso", apelou Paulo Portas, na intervenção de despedida da liderança do CDS, perante o 26.º Congresso do partido, que decorreu em Gondomar (Porto).

"A verdade é que certos círculos entenderam transformar Portugal numa plataforma de ataques soezes contra Angola e os seus dirigentes. É claro que isso não aproveita à excelência das relações que se pretende entre os dois países. Sabemos não serem inocentes esses ataques, o envolvimento da comunicação social e tão pouco a conduta das fontes oficiais que têm estado na origem das informações criminosamente adulteradas", remata o diário público angolano.

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