Louçã: Draghi fez exibição de poder deselegante e desadequada

Em entrevista à TSF, Francisco Louçã deixa críticas a Mário Draghi, e classifica convite de Marcelo ao presidente do BCE como uma "anormalidade institucional pouco aconselhável politicamente".

Francisco Louçã, economista e antigo coordenador do Bloco de Esquerda, estreou-se esta semana no papel de Conselheiro de Estado. A estreia aconteceu numa reunião especial, não só porque foi a primeira no novo Conselho "desenhado" por Marcelo Rebelo de Sousa, mas sobretudo porque teve como convidado o presidente do Banco Central Europeu, num momento particularmente sensível para a banca nacional, e com a entrega do Programa de Estabilidade em Bruxelas já aí ao virar do mês.

Francisco Louçã diz que Presidente da República não devia ter convidado Draghi

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Em entrevista à TSF, Francisco Louçã começa por sublinhar que "o Conselho de Estado tem funções constitucionais, de aconselhamento do PR", e que "não é muito normal que a primeira reunião seja aberta a um representante de uma entidade estrangeira". O antigo líder do Bloco acrescenta ainda que, apesar de existir, no convite de Marcelo a Draghi, uma "anormalidade institucional possível no contexto da lei", o facto é que o convite era "politicamente desaconselhável".

Estranhando que Mário Draghi tenha divulgado em Frankfurt, quase de imediato, o teor da declaração inicial no Conselho de Estado, Francisco Louçã critica os avisos que o presidente do BCE deixou em relação às reformas estruturais aplicadas ou por aplicar em Portugal. Draghi afirmou, perante os conselheiros, que Portugal não só deveria manter as reformas aplicadas pelo anterior governo, como aprofundar e acelerar o ritmo reformista noutras áreas, como, por exemplo, a legislação laboral.

Louçã considera que reparos de Draghi ao Governo mais não são do que demonstração de poder

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Louçã afirma que "todas as notas sobre reformas estruturais são uma construção ideológica absurda", sobretudo porque, diz, o BCE fez parte da Troika e as políticas de austeridade tiveram um efeito desastroso em Portugal. Deixando subentendido que Mário Draghi terá ouvido respostas à altura da parte de alguns conselheiros de estado, Francisco Louçã afirma que essa parte da intervenção do presidente do BCE foi "totalmente desadequada", e que o que Draghi fez foi "uma exibição de poder que é totalmente descartada pelas regras constitucionais portuguesas e até pela elegância mais elementar".

A entrevista, na íntegra, é transmitida este sábado depois das 11 da manhã.

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