Marcelo considera que há "uma exposição muito grande do poder político"

Na visita à Cidade Proibida, em Pequim, o Presidente da República comparou o tempo dos imperadores com a atualidade. E concluiu que há hoje muita exposição do poder político. Com todas as vantagens e desvantagens que isso traz.

Uma cidade para uso exclusivo do imperador, da família e dos milhares de funcionários que estavam ao seu serviço. Uma Cidade Proibida ao comum dos mortais, com 720 mil metros quadrados, onde cabem 980 edifícios e onde só entrava quem estivesse devidamente autorizado, por portões e portas específicas.

No terceiro dia de visita à China, Marcelo Rebelo de Sousa percorreu parte dos 600 anos de história da Cidade Proibida, guiado uma chinesa e por um tradutor, que foram explicando ao Presidente da República o significado de cada edifício, de cada peça de mobiliário, de cada portão.

"Eram outros tempos", constata Marcelo, enquanto percorre, em passo acelerado a cidade que fechou parcialmente para receber o Presidente de Portugal. Rodeado de microfones e câmaras de filmar, o Presidente não se nega à comparação entre um tempo de imperadores, em que o acesso ao poder político era muito mais restrito, e os dias de hoje, em que a "exposição é muito grande", o que leva a que haja "cada vez menos disponíveis" para vir para a política. "Significa pagar um preço, o próprio e todos os que o rodeiam", explica o Presidente, que também encontra aspetos positivos neste acesso mais facilitado ao poder político: "Significa um escrutínio, um controlo do poder político muitíssimo mais apertado, o oposto do que acontecia no império como pudemos verificar."

Na cidade onde viveram 24 imperadores, entre meados da dinastia Ming até ao fim da dinastia Quing, Marcelo elabora sobre o presente e o futuro: "Há hoje meios de acesso instantâneo ao que se passa na liderança do poder político que não havia naquela altura e que não havia sequer no começo das democracias, no começo do século XX. A dúvida é saber até onde é que isso irá ao longo século XXI", questiona o Presidente.

Pesadas todas as diferenças, Marcelo Rebelo de Sousa constata que "a democracia deixou de ser só eleitoral de tantos em tantos anos, passou a ser uma democracia mais participativa, mais mediática, muito mais preocupada com o controlo do poder político e isso, como tudo na vida, tem exigências muito grandes. Tem vantagens, mas também tem desvantagens."

A visita à Cidade Proibida durou pouco mais de uma hora. No final, ainda ouve tempo para umas fotografias e uns apertos de mão às centenas de pessoas que aguardavam, atrás das barreiras, a saída da comitiva oficial para poderem visitar o espaço. É que, por estes dias, a Cidade Proibida, voltou a ficar de acesso mais restrito. Ou não estivessem em Pequim quase 40 chefes de Estado e de Governo e, quase todos, quiseram passar por aqui.

Empresários chineses sem queixas

A passagem pela Cidade Proibida serviu também para o Presidente da República fazer o balanço do jantar que teve, este sábado, com um conjunto de empresários chineses que investiram em Portugal. Um deles, o presidente da China Three Gorges, a principal acionista da EDP, que viu recentemente falhada a OPA que lançou para ter a maioria do capital.

Marcelo garante não ter ouvido qualquer queixume por parte da gigante elétrica chinesa. Pelo contrário, o Presidente diz só ter ouvido elogios à economia portuguesa que "soube ultrapassar a fase critica e entrar numa velocidade cruzeiro, que é importante para investidores". Marcelo conta ainda que os empresários chineses "estão muito empenhados em manter a sua presença e alargá-la a outros países", ou seja,"em conjunto com Portugal, estarem presentes noutros países de língua oficial portuguesa".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados