"Não faz sentido discutir se o PS foi instrumento de corruptos e criminosos"

Silva Pereira lamenta e admite "mágoa" do antigo líder na hora do adeus.

No primeiro comentário depois de José Sócrates ter fechado o ciclo da militância no PS, Pedro Silva Pereira diz que "não era inevitável".

"Lamento mas respeito a decisão de se desvincular do Partido Socialista. O PS tem explicado pela voz do secretário-geral que não alterou a posição". Sendo assim, o que mudou para levar José Sócrates a entregar o cartão de militante? Para o antigo ministro de Sócrates, "uma coisa é a posição do Partido Socialista, outra coisa é a perceção que se possa ter dela".

"Houve de facto uma sucessão de declarações de dirigentes do Partido Socialista em tom algo diferente do que tinha acontecido anteriormente e isso gerou uma perceção, que depois o secretário-geral esclareceu que não corresponde à verdade e que não havia uma condenação sem julgamento que o PS nunca fez", explica Silva Pereira no Programa Política Pura da TSF.

Questionado sobre a expressão utilizada pelo antigo líder do PS na carta de despedida, Pedro Silva Pereira considera que ao escrever sobre uma situação de "embaraço mútuo", para Sócrates "uma rotura depois de um trajeto comum durante tanto tempo, certamente que traduz uma mágoa pessoal foi assim que eu li", diz o eurodeputado.

Contrariando a posição defendida, por exemplo, pela também eurodeputada do PS Ana Gomes que defendeu que o próximo congresso do partido "é a oportunidade para escalpelizar" como é que o PS "se prestou a ser instrumento de corruptos e criminosos", Silva Pereira defende que este não é o momento para fazer tal discussão.

"Para o Partido Socialista não faz qualquer sentido abrir uma discussão sobre como é que foi ou deixou de ser um instrumento de ação de corruptos e criminosos, como diz Ana Gomes. Não é essa é a posição do direção. Isso iria supor uma antecipação do julgamento que nem a própria justiça fez, nem podia fazer porque o contraditório não se fez", considera Pedro Silva Pereira.

Ainda assim, o eurodeputado que irá ao congresso marcado para os dias 25, 26 e 27 na Batalha, acredita que a questão "deverá estar na ponta da língua do jornalistas nos corredores do congresso" e que "embora as pessoas sejam livres de fazerem as intervenções que entenderem", a direção deve manter o assunto fora da agenda.

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