"O desfecho de um desastre anunciado." BE quer ouvir Centeno sobre o Novo Banco

Deputada Mariana Mortágua revela que, segundo as contas do Bloco de Esquerdo, já terão sido injetados no banco cerca de oito mil milhões de euros do dinheiro público.

A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, pede explicações ao ministro das Finanças, face ao que está a acontecer no Novo Banco, que apresentou esta sexta-feira prejuízos de 1400 milhões de euros.

O presidente do banco já admitiu o pedido de uma nova ajuda ao Fundo de Resolução, no valor de 1150 milhões de euros. A deputada bloquista considera que o Governo deve assumir responsabilidades face ao que está a acontecer depois do contrato que celebrou com o fundo Lone Star para a venda do banco e que prevê empréstimos do Estado até quatro mil milhões de euros.

"Que o ministro das Finanças vá ao Parlamento, explicar o que é que se passou e porque é que agora pede esta auditoria às contas. É importante que o Governo admita agora que, afinal, o negócio que apresentou na altura como sendo a situação menos má, não era a situação menos má, não era a situação menos má e que era uma situação que se iria materializar neste nível de prejuízos. É preciso que o Governo esclareça, mas mais do que esclarecer, é importante que o Governo assuma as responsabilidades deste negócio ruinoso", defende a deputada.

Mário Centeno já fez saber que "considera indispensável" a realização de uma auditoria" para escrutinar o processo de capitalização do Novo Banco. O Bloco de Esquerda calcula que, com este pedido de ajuda ao fundo de resolução, o Novo Banco já tenha custado aos contribuintes portugueses cerca de 8 mil milhões de euros.

"Aquilo que previa há dois anos é o que se está a materializar ano após ano. O privado comprou um banco sem pagar nada por ele, injetou uma pequena parte do capital e o Estado acabará por limpar o balanço do banco, tal como era previsto até ao total dos 3,9 mil milhões, o que a juntar aos 3,9 mil milhões que já tínhamos injetado na altura do BES, faz com que o Novo Banco já tenha custado aos contribuintes portugueses 8 mil milhões de euros", explica Mariana Mortágua.

"Depois de limpo, esse banco não será nosso, será de um fundo norte-americano. Parece-me que, oque se está a prever, é que os privados acabem por esgotar toda a garantia - que o Governo recusa admitir que é uma garantia mas que se mostra que é - com efeitos no défice e nas contas públicas. O que se está aqui a revelar são os frutos, a curto prazo, de uma péssima decisão tomada em 2017 - bem sabemos que num contexto difícil, com uma má intervenção do Governo anterior no BES e no Novo Banco e também com as contas a serem mascaradas ao longo do tempo para nunca assumir a totalidade dos prejuízos -, mas o Governo tem responsabilidade na decisão que tomou e que agora se materializa nestes custos muito avultados", atira a deputada.

No ano passado, o Estado injetou perto de 800 milhões de euros e, com este novo empréstimo, serão perto de dois mil milhões de euros a quantidade de dinheiro público injetado no banco que sucedeu ao BES. O contrato de venda ao fundo Lone Star prevê que o empréstimo do estado poderá atingir o limite máximo de quase quatro mil milhões de euros. A deputada estranha o pedido de Mário Centeno para que as contas do Novo Banco sejam auditadas e recorda que, na altura da injeção do ano passado, o ministro das Finanças garantiu que existiam mecanismos para garantir que as contas do Novo Banco estavam sob controlo.

"Nessa altura, questionámos como é que o Estado, não tendo administradores executivos poderia garantir que o privado não estava a manipular as regras contabilísticas para imputar todo o prejuízo ao Estado enquanto durasse essa garantia. Foi-nos dito, numa Comissão de Orçamento e Finanças realizada para o efeito, que esses mecanismos estavam garantidos e que havia formas de garantir que as contas não iam ser adulteradas por forma a maximizar o prejuizo pago pelo Estado. Por isso, é estranho, não sendo surpreendente" este pedido do Governo. Mariana Mortágua considera que este é o "desfecho de um desastre anunciado."

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