É português o voluntário que mais europeus juntou à guerra contra a abstenção

Depois de uma desastrosa taxa de participação nas eleições europeias, Bruxelas recrutou um exército de voluntários para apelar ao voto.

Depois da maior abstenção de sempre nas eleições europeias, não basta convencer as pessoas a votar. É preciso convencê-las a incentivar outros a ir às urnas.

This Time I'm Voting (Desta Vez eu Voto) é um verdadeiro "exército de voluntários", nas palavras de Jaume Duch Guillot, diretor-geral de Comunicações do Parlamento Europeu, com 22 mil pessoas comprometidas em espalhar a mensagem de apelo ao voto.

O 'soldado' deste exército que mais eleitores recrutou para as fileiras de Bruxelas na guerra contra a abstenção é português. Chama-se Gonçalo Gomes, tem 20 anos, conseguiu que 559 pessoas se juntassem ao movimento do Parlamento Europeu.

Gonçalo Gomes é um assumido "geek" da política. Conta à TSF que apesar de ainda só ter votado uma vez - nas autárquicas de 2017 - lê o Politico pelo menos três vezes por dia, ou "se calhar muitas mais". Até nas aulas do curso de Economia.

"A economia é uma ciência importante para tentar organizar a sociedade da melhor forma possível", considera, e, por isso, escolheu seguir esta área em vez de política, que considera "mais restritiva".

O estudante descobriu a campanha This Time I'm Voting no LinkedIn e entre a sua própria rede de amigos e conhecidos e, sobretudo através das redes sociais, conseguiu angariar mais voluntários do que qualquer outra pessoa associada ao movimento na Europa.

Outros voluntários organizaram eventos - como a iniciativa que levou sessenta pessoas com deficiência a surfar, pela primeira vez, as ondas de Carcavelos - distribuíram brindes e até criaram 'memes'.

"Foi a primeira vez na vida que vi uma abordagem à política ascendente em vez de descendente", com as instituições a pedir ajuda ao cidadão, em vez de ser o "cidadão a tentar ser envolvido".

Entre os jovens não há uma grande aproximação à política, mas também através da internet se potencia o debate e o esclarecimento sobre as eleições. Resta saber se isso irá refletir-se nas urnas.

Em 2014, apenas 28% dos eleitores europeus com entre 18 e 24 anos votaram, e em Portugal a média foi ainda mais baixa - 19%.

Gonçalo Gomes lembra que, como ele, os jovens que estão a estudar fora de casa podem votar antecipadamente fora da sua secção de voto. "Desta vez é mesmo preciso votar - há muito em jogo".

Já o sueco Andreas Greén dedica-se especialmente a incentivar mais pessoas com deficiência a votar nas europeias.

Faltam acessibilidades em muitos locais de voto em vários países para quem, tal como ele, se desloca com apoio de uma cadeira de rodas. Os meios utilizados não são inclusivos, lamenta. Votar com autonomia é difícil, tanto na Suécia como em Portugal.

Para os eleitores cegos, por exemplo, está em causa uma questão de confiança: Os boletins não têm texto em braile e é preciso que outra pessoa entre na cabine para votar. "Tenho de pedir a alguém para me ajudar e confiar a 100% que essa pessoa vai votar no candidato que eu quero. Não é seguro", considera o voluntário.

"Já é altura de o Parlamento Europeu adotar um sistema mais acessível para todos", defende, permitindo o voto através da internet, por exemplo.

Lembra Andreas Greén que, ainda que fosse ideal que este tipo de limitações não fossem um fator no momento de votar, a deficiência não pode ser "desculpa" para ficar em casa.

Apenas 42,54% dos europeus foi votar nas últimas eleições para o Parlamento Europeu e em Portugal a abstenção foi ainda maior, com uma participação de 33,76%.

Em abril, 41% dos inquiridos pelo Eurobarómetro dizia estar a par da data das eleições europeias, pelo que é expectável uma participação igualmente baixa.

As eleições decorrem entre 23 e 26 de maio, consoante o Estado-membro. Em Portugal estão marcadas para dia 26 de maio.

Leia aqui tudo sobre as Eleições Europeias

A TSF viajou para Bruxelas a convite do Parlamento Europeu

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