Offshore: PSD quer ouvir Mário Centeno. PS fala em "descaramento"

Social-democratas alegam que 18 das 20 declarações do caso 'offshore' só podiam ser detetadas já durante a governação socialista. PS diz que "há limites para a criação de verdades alternativas".

O PSD anunciou, esta sexta-feira, que vai chamar o ministro das Finanças ao Parlamento, para que Mário Centeno preste declarações sobre o caso da não publicação das estatísticas relativas a transferências de cerca de 10 mil milhões de euros para paraísos fiscais, defendendo que boa parte das transferências deveriam ter sido fiscalizadas já durante a governação do Partido Socialista.

A reação surge na sequência da audição, na última quarta-feira, da diretora-geral da Autoridade Tributária, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

Segundo o PSD, pela voz do deputado António Leitão Amaro, durante a audição, Helena Borges deu conta de que "18 das 20 declarações omissas de tratamento foram entregues a partir do verão de 2015, sete das quais após as eleições legislativas de outubro de 2015 e quatro só durante o ano de 2016".

Assim, entendem os social-democratas, a "esmagadora maioria" das declarações só poderia ser fiscalizada pela Autoridade Tributária "durante o mandato do atual Governo".

Uma situação que leva o PSD a considerar as declarações do primeiro-ministro como "imprudentes", depois de, durante o debate quinzenal, António Costa ter afirmado que o Governo PSD/CDS-PP revelou "incapacidade de verificar o que é que aconteceu com dez mil milhões de euros que fugiram do país".

Na resposta, Eurico Brilhante Dias, deputado do PS, falou em "descaramento" e sublinhou a "indignação" por parte dos socialistas, que consideram que existem "limites para a criação de verdades alternativas".

Aos jornalistas, o deputado garantiu que "não há um único cêntimo transferido depois da tomada de posse do atual Governo", salientando que os dados das transferências teriam de ter chegado à Autoridade Tributária "até 31 de julho de 2015".

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