Partidos reagem ao assumir de responsabilidade de Paulo Núncio nos 'offshore'

PS considera que houve "negligência" por parte do anterior governo e o PCP não dispensa "um cabal esclarecimento" sobre o assunto. BE diz que Núncio não tinha outra opção.

Apesar do pedido de demissão de Paulo Núncio dos órgãos nacionais do CDS-PP, Eurico Brilhante Dias, deputado do PS e membro do secretariado nacional do partido, rejeita que esta seja uma "questão partidária", sublinhando que houve "negligência" por parte do governo PSD/CDS-PP que, diz o deputado socialista, PSD e CDS-PP, têm de "assumir as suas responsabilidades".

Eurico Brilhante Dias acusa o antigo governo de negligência

00:0000:00

Já sobre a possibilidade se, no futuro, se puder vir a avançar com uma comissão parlamentar de inquérito ao caso, Eurico Brilhante Dias diz que nenhuma decisão deve ser tomada sem antes se realizarem as audições já pedidas pelos deputados.

PCP, BE e PSD pediram a audição parlamentar de Paulo Núncio e também do atual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, para prestarem esclarecimentos sobre as transferências para paraísos fiscais, enquanto o PS pediu apenas para ouvir o atual secretário de Estado. Ambos são ouvidos no parlamento na próxima quarta-feira.

Além de pedir as audições urgentes de Paulo Núncio e Rocha Andrade, o PSD quer também ouvir os diretores-gerais da Autoridade Tributária e Aduaneira que exerceram funções desde 2011, bem como do inspetor-geral das Finanças.

Ouvido pela TSF, João Oliveira, líder parlamentar do PCP, diz que ao assumir a "responsabilidade política", Paulo Núncio confirma o "acerto do PCP", que pediu a audição do antigo secretário de Estado. João Oliveira considera que a decisão identifica a "responsabilidade política de PSD e CDS-PP" e sublinha que a decisão não dispensa "um cabal esclarecimento" sobre o caso.

A responsabilidade política de PSD e CDS está identificada, diz João Oliveira

00:0000:00

Questionado sobre se o caso poderá no futuro ser alvo de uma comissão parlamentar de inquérito, o líder da bancada comunista diz apenas que é preciso analisar que tipos de instrumentos parlamentares vão ser necessários para apurar todas as responsabilidades.

Numa nota enviada à TSF, o BE diz que "assumir a responsabilidade pela não publicação da informação era a única opção de Paulo Núncio, no que devia ser acompanhado pelos ministros das Finanças a que respondia".

Na mesma nota, o Bloco de Esquerda frisa ainda que "fica por esclarecer o mais importante: como foi que 10 mil milhões desapareceram das listas de transferências para offshores", sublinhando que continua a defender que é preciso "taxar as transferências e punir a fuga, responsabilizar quem a permitiu e definir regras para que a fuga não se repita".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados