Passos Coelho regressou numa noite escura e houve quem chorasse de saudades

Se é verdade que não se deve regressar a um sítio onde já se foi feliz, não é menos verdade que um pouco de saudosismo não faz mal a ninguém. Passos regressou às lides partidárias e deixou alguns militantes, mais saudosos, em lágrimas.

O relógio está quase a bater as nove da noite, quando um carro chega ao parque de estacionamento da Quinta de Mações, no Estoril, o local escolhido pela JSD para o jantar. À medida que os faróis do carro se vão aproximando, os militantes, que não arredam pé da porta da sala, agitam-se e começam a pressentir a chegada mais aguardada da noite: "É capaz de ser ele, já não faltam muitos".

Ele é Pedro Passos Coelho. O caminho escuro, ladeado por pequenas árvores, mantém a dúvida durante alguns minutos, mas mal se aproximou do primeiro foco de luz, as incertezas esvaneceram-se: era mesmo o ex-primeiro-ministro, ex-presidente do PSD e ex-líder da JSD que chegava, finalmente, ao convívio.

Passos aceitou participar num "speed-dating" (um modelo de encontro em que os jovens sociais democratas podem estar durante um tempo limitado a trocar impressões com os ex-líderes da JSD), juntamente com outros colegas de partido, todos eles ex-presidentes da Juventude Social-Democrata. Entre eles, vários amigos e alguns inimigos políticos de Passos, como Pedro Duarte, por exemplo, um dos maiores críticos do ex-presidente do PSD.

Ainda assim, Pedro Passos Coelho tinha ali mais amigos que inimigos: Pedro Rodrigues, Duarte Marques, Pedro Pinto, Hugo Soares e Carlos Coelho, todos eles ex-líderes da JSD. Todos eles, homens que confiança de Passos num passado recente.

Numa noite de chuva e nevoeiro

Em passo apresado e sem querer falar com os jornalistas, o ex-primeiro ministro irrompeu do escuro e da chuva, para se juntar aos antigos líderes que já o aguardavam na quinta.

A ansiedade e a curiosidade dos jovens sociais-democratas, era difícil de traduzir por palavras: "Entrei na política por causa do Passos", atira um. "Eu também", confirma outro militante, enquanto acende um cigarro à entrada da sala de jantar.

À ordem para entrar, os militantes da JSD começam a organizar-se nas várias mesas da sala de jantar, por onde haveriam de ser "espalhados" os ex-líderes da Juventude Social-Democrata. Cá fora, os antigos líderes vão coordenando a entrada. É-lhes dito que serão chamados um por um e serão reencaminhados para as respetivas mesas.

Pedro Pinto é o primeiro. Habituado a estas andanças, o antigo líder da JSD ocupa o seu lugar na mesa e o próximo a ser chamado é Carlos Coelho. Mas a entrada mais triunfante, está guardada para Passos Coelho. Assim que os jovens ouvem o nome do ex-primeiro-ministro, ouve-se uma enorme ovação de pé, com os militantes a gritar: "Passos! Passos! Passos!". Com tanta euforia, há quem não consiga controlar as emoções e as lágrimas escorrem pela face de alguns dos jovens.

A mesa onde Pedro Passos Coelho está sentado, é claramente a mais ambicionada. A espera é feita, muitas vezes, na rua, entre um cigarro e o saudosismo: "Quero inscrever-me no mestrado onde Passos dá aulas só para ele ser meu professor", gracejam alguns.

Muitos acreditam que o próprio Passos "tem saudades", mas que esta "não é a melhor altura para o seu regresso."

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