PCP quer país a "ir mais longe", sem "amarras" da Europa

O líder parlamentar comunista defendeu a necessidade de "ir mais longe" na "reposição de direitos e rendimentos", desejando que o Governo largue os compromissos com "o grande capital".

"Fazemos um balanço positivo das medidas que correspondem a problemas mais urgentes dos trabalhadores e do povo, permitindo ultrapassar algumas dificuldades, mas não deixamos de fazer o balanço crítico relativamente a tudo o que falta, tudo o que está por fazer, em particular em função das opções que o PS tem feito de travar ou não levar mais longe medidas que podiam ter outro alcance e dar outra resposta aos problemas estruturais do país", disse João Oliveira, numa antecipação do debate sobre o estado da nação, sexta-feira, no parlamento.

O deputado comunista salientou a necessidade de combate à precariedade nos setores público e privado, uma resposta urgente aos serviços públicos (saúde, educação, transportes), de investimento nas condições salariais e na manutenção e renovação de equipamentos e infraestruturas, além dos setores depauperados da cultura e da ciência, bem como as desigualdades fiscais, onde é preciso "persistir na linha traçada de alívio de impostos sobre quem trabalha e tributação mais efetiva sobre os lucros das grandes empresas".

"Naturalmente, o afastamento de PSD/CDS do Governo, a interrupção da sua política de destruição do país, de agravamento da exploração e do empobrecimento que estava em curso e as medidas tomadas de defesa dos direitos e rendimentos... Todas essas medidas que reverteram aquela política de exploração e empobrecimento aí estão à vista, com os resultados que têm não só no plano económico, mas também no plano social. Isso chega? Não. É preciso ir mais longe, não tudo de uma vez, mas é preciso ir mais longe, que se caminhe no sentido de levar mais longe essas medidas positivas, no sentido da política alternativa que continua a fazer falta ao país sobretudo para responder aos problemas estruturais que persistem", afirmou.

João Oliveira destacara a devolução de salários e pensões, aumento do abono de família, o investimento em creches e pré-escolar, a gratuitidade dos manuais escolares, dois aumentos consecutivos de pensões (com intervenção decisiva do PCP) ou a redução do IRS por via da alteração dos escalões.

O debate sobre o estado da nação, com intervenção inicial do primeiro-ministro, tem lugar numa das 10 últimas reuniões plenárias de cada sessão legislativa, seguindo-se pedidos de esclarecimentos dos diversos partidos e o período de discussão generalizada antes do encerramento, que cabe novamente ao Governo, numa reunião magna com perto de quatro horas de duração prevista.

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