PJ soube da denúncia sobre furto de Tancos, mas informação não chegou ao diretor

O antigo diretor da Judiciária confirmou, na comissão de inquérito, que a denúncia anónima chegou quatro meses antes do furto nos paióis de Tancos, mas ele nada soube porque delegava competências.

O antigo diretor da polícia Judiciária Almeida Rodrigues confirmou, esta quinta-feira, que a PJ recebeu uma carta com a denúncia de que iria ocorrer um furto em Tancos, mas adiantou também que não chegou a tomar conhecimento dessa carta.

"A PJ teve conhecimento, eu, como diretor nacional, não", respondeu Almeida Rodrigues em resposta ao deputado do PCP Jorge Machado adiantando que "só mais tarde" foi informado dessa denúncia.

"No dia em que tomei conhecimento do furto de Tancos desconhecia em absoluto que essa investigação existia e tudo o que depois veio o público", garantiu Almeida Rodrigues.

O antigo responsável pela PJ remeteu mais esclarecimento para o então diretor, da Unidade Nacional de Contraterrorismo, Luís Neves, que hoje lidera a Judiciária e que, na altura ficou com este assunto em mãos por causa do eventual risco de tráfico de armas.

Luís Neves vai ser ouvido na próxima semana na comissão parlamentar de inquérito ao caso de Tancos.

Na audição desta quinta-feira, Almeida Rodrigues disse aos deputados que soube do furto das armas, em junho de 2017, depois de uma chamada do coronel Luís Vieira, na altura diretor da Polícia Judiciária Militar, considerando o furto "extraordinariamente grave".

Questionado sobre a opinião que tem sobre a forma como foi realizado este furto, Almeida Rodrigues invocou a sua experiência como investigador para considerar que "não houve muito planeamento".

"Alguém que deixa transparecer que vai praticar um furto ao ponto de chegar ao conhecimento das autoridades e depois a forma como o furto terá sido praticado, o local escolhido, tudo isso faz-me crer não ter havido um planeamento muito eficaz".

"Ao longo da minha carreira de investigador, investiguei crimes de roubo ou furto um bocadinho melhor planeados", disse o antigo responsável pela PJ.

Sobre as informações de tensões entre a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar, o antigo diretor da PJ confirmou que soube que a força que liderava foi impedida de aceder ao local onde estava o material roubado, mas de resto só soube dos "desentendimentos" através da comunicação social.

Almeida Rodrigues desmentiu ter telefonado ao congénere da PJM sobre eventuais investigações em curso que incidiam sobre a Polícia Militar.

"Nunca telefonei ao diretor da PJM. O que se passou foi o seguinte: havia notícias, que eram públicas, de desentendimentos entre a Polícia Judiciária e a PJM", afirmou o antigo diretor da PJ acrescentando que "numa cerimónia que ocorreu no Terreiro do Paço" falou com o então responsável pela Judiciária Militar.

"Eu disse ao Sr. diretor da PJM o seguinte: há um despacho da senhora Procuradora-Geral da República que diz que a Polícia Judiciária tem competência para investigar e deve ter toda a colaboração institucional da PJM. É necessário que as nossas forças se entendam", explicou Almeida Rodrigues considerando que se as duas forças não se entendessem haveria "um problema adicional".

Almeida Rodrigues sublinhou, no entanto, que no momento da conversa "não sabia que o diretor da PJM estava a ser investigado, nem sabia que é para PJM estava a ser investigada".

"A minha política enquanto o diretor da Polícia Judiciária foi facultar os meios, resolver problemas mas eu não tinha que investigar", rematou.

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