"Ministra da Justiça esteve a negociar quanto vai receber quando sair do Governo"

David Justino aponta o dedo ao Governo e à pessoa escolhida para negociar com os juízes a proposta salarial. "Eu nem estava a acreditar no que estava a ouvir", responde Carlos César.

A proposta do Partido Socialista que permite que os juízes no topo da carreira passem a receber mais do que o primeiro-ministro espoletou críticas de David Justino sobre o facto de a ministra da Justiça ter negociado sobre o seu futuro salário, quando deixar o Governo.

"Quem fez a negociação com a Associação Sindical dos Juízes Portugueses para que esta proposta pudesse ter seguimento foi a senhora ministra da Justiça, sabendo ele que a senhora ministra da Justiça é juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça, não estando a exercer porque está no Governo", atirou o social-democrata, em declarações no programa Almoços Grátis, da TSF, em jeito de acusação ao Governo.

A situação leva David Justino a questionar-se sobre o "interesse próprio" da ministra. "A ministra esteve a negociar quanto é que vai receber quando sair do Governo, qual vai ser o seu ordenado quando integrar os quadros do STJ", afirma.

Carlos César ficou incrédulo com a crítica. "Eu nem estava a acreditar no que estava a ouvir", atirou. "Por que é que a ministra da Justiça, apesar de ser juíza, não pode definir a política do governo sobre esta matéria?"

"O David Justino quando foi Ministro da Educação esteve proibido de discutir as carreiras dos professores ou a grelha salariais?", questionou. À pergunta, David Justino não tardou a responder: "Não era professor."

O presidente do PS deixa ainda uma questão ao PSD: "Até onde é que vamos chegar nesta demagogia infame de tentar atirar às pessoas labéus que são inconcebíveis? Acho inacreditável."

Ainda sobre a hierarquia salarial na Administração Pública, Carlos César recordou o caso do chefe de gabinete de Rio na autarquia do Porto. "Rui Rio vem dizer que ninguém deve ganhar mais do que o primeiro-ministro, que 'é um principio que há muitos anos defendo', tirando o chefe de gabinete dele na Câmara Municipal do Porto, que tinha um vencimento acima do Presidente da República e do primeiro-ministro".

"Em matéria de banhos, o banho ético de Rio tem sido um banho de hipocrisia", concluiu.

"Esta alteração passa pela retirada do teto salarial do primeiro-ministro, permitindo aos juízes dos tribunais superiores que possam ser remunerados de acordo com aquilo a que teriam direito pelo decurso normal da carreira", justifica, frisando que esta posição "denota bem como o PSD se coloca hoje em dia perante todas as coisas: quando há desacordo e greve o PSD acusa o Governo de pôr em causa a paz social, quando há acordo acusa o Governo de ceder a corporativismos".

Carlos César reitera ainda, relativamente às ligações familiares, que "todos gostariam de saber qual é o limite para que a acusação não se transforme em calúnia".

* Almoços Grátis moderado por Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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