"Quando se fala muito corremos o risco de dizer uma coisa e o seu contrário"

António Costa declarou-se surpreendido com a contestação no setor das artes mas já sabia de tudo, disse o secretário de Estado da cultura. Lapso de quem foi obrigado a falar muitas vezes do mesmo assunto, defende Carlos César.

Luís Montenegro condenou a "descoordenação" do governo na sequência da reunião em São Bento entre António Costa e o ministro e secretário de Estado da Cultura, Luís Castro Mendes e Miguel Honrado, para acompanhar o processo relativo à aplicação do programa de apoio às artes.

"O secretário de Estado da cultura, depois de chamado ao primeiro-ministro, a par do ministro, para levar o correspondente puxão de orelhas, público, disse que o primeiro-ministro não podia ter ficado surpreendido porque estava a par de tudo", disse o social-democrata no programa "Almoços Grátis".

Recordando que Miguel Honrado "fez muitos diretos", Carlos César assume que "quando se está muito tempo a falar sobre um assunto corremos sempre o risco de dizer uma coisa e o seu contrário".

O socialista ressalva que "esta é uma área de especial sensibilidade", onde "sempre foi difícil estabelecer bons critérios", aceites por todas as entidades ligadas às artes. Por outro lado, "não se pode atribuir apoios sem critérios".

"A verba foi reforçada e o assunto está a ser revisto", assegura.

Para Luís Montenegro, há uma contestação generalizada, pelo que "não há fumo sem fogo" - se todos estão de acordo "é porque o Governo está a falhar".

Por sua vez, Carlos César fala de um momento de "instabilidade laboral de natureza excecional".

"Com o crescimento da economia crescem as expectativas e a ilusão de que podemos passar do 8 ao 80" e o Governo tem de saber "quando é preciso dizer não".

Há inclusive, diz, situações "injustas" em alguns setores "que têm melhorado a sua situação laboral e remuneratória, o seu horário de trabalho"

"Não podemos dar o passo maior do que a perna", reforça.

Luís Montenegro diz que o que "mais o preocupa" não são as greves em si, mas sim os setores onde tem havido contestação, nomeadamente saúde, SEF e educação.

Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm suscitado protestos.

Os concursos abriram em outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro. No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponível até 2021, para 72,5 milhões de euros.

com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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