Relações familiares no Governo? "Estamos a falar de dez pessoas em 300 ou 400"

David Justino e Porfírio Silva discutiram o tema das relações familiares no Executivo e o socialista defendeu que "não vale tudo".

No caso das relações familiares no Governo, Porfírio Silva considera que não deve haver uma generalização, mas admite que tem de haver "fronteiras daquilo que é normal e escrutinável e daquilo que não é aceitável".

O dirigente do PS começa por falar de si e da sua mulher, deputados na Assembleia da República, e realça que não pode haver uma "roleta" para decidir quem abandona a carreira política. Pouco antes, já David Justino tinha referido que, na sua opinião, era diferente existirem familiares no Parlamento ou no Governo.

"O problema destas vagas de conversa é que há quem faça um discurso 'clean' e há quem ponha tudo ao barulho", afirma, frisando que é preciso limites e que "não vale tudo".

"Vamos supor que um ministro designa para seu secretário de Estado um cônjuge e que essa relação não é conhecida. Há duas marcas de perigo: temos dois titulares de cargos políticos em relação hierárquica de dependência - parece-me mal - e depois haveria o problema do secretismo e da falta de transparência", exemplifica.

Contudo, não acredita que seja isso que está em causa. "Não estamos a falar do Governo, estamos a falar de Governo, assessores, adjuntos, etc... serão 300 ou 400 pessoas. O que se está a tentar dizer é que há um grupinho de 15 ou 20 dentro dos quais há três ou quatro casos. Não, nós estamos a falar de 300/400 pessoas e estamos a falar de sete, oito, nove ou dez pessoas em 300 ou 400", realça.

Porfírio reitera que é preciso "encontrar as fronteiras daquilo que é normal e escrutinável e daquilo que não é aceitável" e, principalmente, ver um "efeito mais profundo" e perceber que o "verdadeiro problema é a colisão de interesses entre interesse público e privado".

"O que é muito menos escrutinado é a relação entre quem tem uma posição pública e uma privada, sendo que o interesse público pode ser prejudicado nessa relação privada", justifica o socialista.

Porfírio Silva fez ainda uma "proposta de fronteiras éticas" e revelou que "não podemos ter titulares de cargos políticos com relações hierárquicas entre si e a transparência ser escrutinável".

* Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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