Rui Rio lamenta "pressões" por parte de quem rejeita eutanásia

Líder do PSD acusa os que estão "do lado do não" de "pressão excessiva" sobre quem quer aprovar a despenalização da morte assistida. 'Caso Siza Vieira' não deve servir para aproveitamento político.

A poucos dias de os deputados votarem, no parlamento, os projetos de lei sobre a morte medicamente assistida, o líder do PSD lamenta a existência de "pressões" por parte de quem defende o "não à eutanásia" com o objetivo de influenciar quem quer dar "luz verde" aos diplomas apresentados por BE, PS, PEV e PAN.

"Aquilo que tenho notado um pouco na sociedade portuguesa, em particular por parte de quem defende 'não', é que há uma excessiva pressão sobre outros que possam estar no 'sim' ou que possam estar com dúvidas no sentido de tentar trazê-los para a sua posição. E isso, sinceramente, choca com a minha maneira de ser", afirmou Rui Rio, esta sexta-feira, no final de uma reunião no Conselho Superior da Magistratura, onde esteve também o líder parlamentar, Fernando Negrão.

Rui Rio prefere não avançar com nomes, mas diz que sabe de casos concretos dentro e fora do parlamento."Na minha cabeça tenho nomes e conhecimento de coisas que me contaram, mas que não vou publicitar", salienta o social-democrata, que adianta que "também há pressões de fora para dentro", por parte de quem quer "condicionar a Assembleia da República".

Segundo o líder do PSD, que, ao contrário do líder do grupo parlamentar, Fernando Negrão, defende a morte medicamente assistida, é preciso "respeito" pelo conceito de "liberdade de voto em consciência".

"Quando dei liberdade de voto [ao grupo parlamentar] quase que impus a mim mesmo não dizer nada relativamente às outras pessoas, porque a liberdade de voto é isso mesmo, é em plena consciência e não vale a pena pressionar-me a mim, que sou 'sim', para ser do 'não'", atira Rui Rio, num momento em que, sobre a despenalização da eutanásia, há algumas divisões dentro da bancada parlamentar do PSD.

O presidente do PSD defende ainda que não faz sentido usar o argumento de que os diplomas que são discutidos no dia 29 de maio não podem ser votados apenas porque nenhum partido colocou a questão da eutanásia no programa eleitoral.

"O que é que querem, que da próxima vez que se façam listas [para a Assembleia da República] haja um partido que diz que só se entra na lista quem for do 'sim' e que outro diga que só entra quem for do 'não'? Qualquer Assembleia da República, seja formada por que deputados for, vai ter sempre a sua convicção", defende o líder social-democrata.

Divergência com Negrão? "Não vejo problema nenhum", diz Rio

Com deputados a favor e contra a despenalização da morte assistida, Rui Rio, que é favorável à eutanásia, entende ainda como natural o facto de ter uma posição divergente da do líder do grupo parlamentar, Fernando Negrão.

"Não vejo problema rigorosamente nenhum. E é justamente por isso que logo no início dei uma completa liberdade de voto ao grupo parlamentar", assinala Rio, que considera, no entanto, que a liberdade de voto deve ser "total" e não condicionada por quaisquer pressões.

Rui Rio recusa aproveitamento político de 'Caso Siza Vieira '

À saída da reunião no Conselho Superior da Magistratura, Rui Rio foi novamente confrontado com as notícias sobre o caso que envolve o ministro Pedro Siza Vieira. O líder do PSD insiste que é preciso aguardar pelas conclusões do Ministério Público antes de falar em consequências políticas.

Rui Rio diz ainda que não quer vencer as próximas eleições à custa de casos como este que envolve o ministro-adjunto do Governo liderado por António Costa.

"Nós fizemos uma série de perguntas através do grupo parlamentar, está cumprido o nosso papel, o meu papel agora é trabalhar, apresentar propostas concretas e não tentar ganhar as eleições de amanhã porque houve problemas com um, dois ou três ministros", disse o líder do PSD, que, questionado sobre uma hipotética demissão de Siza Vieira, atira: "A demissão ou não é uma questão de consciência do ministro-adjunto e do primeiro-ministro, não me quero meter nisso quando está em apreciação pelo Ministério Público".

Rui Rio faz ainda algus reparos ao Código de Conduta que foi aprovado pelo Governo: "Quando estamos a ser tão severos que as coisas quase não podem ser cumpridas, é um problema".

E acrescenta: "Aproveito este episódio do ministro-adjunto, aproveito o episódio dos ministros no futebol, para pensarmos que tem de se ter cuidado a legislar nestas matérias".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de