Rui Rio quer "evolução" no SNS "sem complexo ideológico"

O presidente social-democrata jantou com o grupo parlamentar. Ouviu aplausos quando defendeu que "não importa se é público, privado ou social, interessa que funcione".

Rui Rio não quis deixar a bancada do PSD ir de férias sem dizer que adivinha tempos de mudança.

"Estamos num momento claramente de viragem em que a próxima sessão legislativa é também a mais importante", disse em jeito de aviso aos deputados, numa referência às eleições legislativas do outono de 2019.

Na tentativa de mostrar que o PSD "é alternativa", Rio escolheu a Saúde como tema central da intervenção antes do jantar de fecho de sessão do grupo parlamentar, para mostrar que a oposição "não fica pela destruição mas também pela alternativa".

"Não é uma revolução, é uma evolução", defendeu sublinhando que o SNS deve funcionar "independentemente de os cuidados serem prestados por serviços públicos, privados ou sociais.

"Como está, está mal, se não mudarmos vai ficar pior" avisou Rio considerando a Saúde "o ponto mais frágil e onde o Governo mais tem falhado".

"A pergunta que o PSD e os portugueses fazem é: o Estado está a cumprir a Constituição? Está a oferecer o acesso a todos de forma tendencialmente gratuito ou o Estado ele próprio não está a cumprir a Constituição?", perguntou o líder do PSD para logo a seguir responder:

"Se fizermos um diagnóstico do Serviço Nacional de Saúde, seguramente que temos dificuldade em achar que a Constituição está a ser efetivamente cumprida", defendeu.

Defendeu que preciso "abrir o Serviço Nacional de Saúde" e "sem complexos ideológicos".

"O debate não é se é público ou privado, é se cumpre a Constituição da República", defendeu o líder o PSD

Rui Rio considerou ainda que é "indispensável" que exista uma "fiscalização, regulação e avaliação" para garantir penalizações para que falhe e incentivos para quem cumpra, considerando ainda que " o grau de satisfação dos doentes será um dos elementos mais importantes sobre o serviço prestado".

O líder do PSD defendeu ainda que o Estado deve ter uma palavra a dizer na prevenção da doença.

"Nós somos o que comemos e o que não comemos" disse defendendo que deve "haver uma política fiscal" adequada e lamentando que não tenham passado, no último Orçamento, propostas para penalizar consumo de sal e açúcar.

"O ministério da Saúde tem sido nos últimos anos o ministério da Doença" disse Rio.

Críticas a Azeredo e a Pinho

O presidente do PSD, começou a intervenção a considerar hoje, "um dia particularmente infeliz para a democracia portuguesa",numa alusão às audições parlamentares do ministro da Defesa e do antigo ministro Manuel Pinho.

"Hoje veio cá o ministro da Defesa tentar explicar o que até à data é inexplicável. E, ao que me é dito pelos deputados, não explicou rigorosamente nada", disse Rio.

Já sobre Manuel Pinho, o líder do PSD foi igualmente crítico:

"Teve oportunidade de vir ao parlamento dizer se era verdade ou mentira e disse que não respondia. Dá-me ideia que, ao não responder, respondeu", disse Rui Rio recebendo da sala, o primeiro aplauso.

Apoiantes à mesa, críticos no terraço

Na mesa de honra, de 27 lugares, estiveram presentes quase todos os elementos da comissão política nacional do PSD.

Rio lembrou que não estava na sala do restaurante do Parlamento, desde dezembro de 2001, depois de ter vencido as eleições autárquicas no Porto e deixado o lugar de deputado.

Recordou que nessa altura esteve presente com Pedro Santana Lopes que, então tinha vendido a autarquia da capital.

A intervenção foi aplaudida no final, de pé, por quem estava dentro da sala, sobretudo apoiantes de Rio e funcionários do grupo parlamentar, enquanto, no terraço, alguma das vozes mais críticas aplaudiram sentados.

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