"Se o Reino Unido sair, a UE tem que reagir com frieza"

Não pode haver um "salto em frente integracionista" para responder a um Brexit, diz Santos Silva em entrevista. E Portugal não terá um problema - nem com os mercados e a dívida.

"Com o Reino Unido temos dois eixos na Europa; sem o RU ficamos só com um - e nós temos que encarar esse problema", diz o ministro dos Negócios Estrangeiros, na entrevista TSF deste sábado. Convicto de que "Portugal pode gerir melhor um Brexit do que outros países", o ministro dos Negócios Estrangeiros admite que o "efeito dominó pode atingir outros países" da União. "É preciso evitar um crescendo de posições de esticar a corda de países como Holanda, Dinamarca, Polónia - "de dizerem 'agora é a nossa vez de sair'".

Porém, alerta Santos Silva, se o Reino Unido optar por sair, a Europa tem que reagir com frieza. "Imaginemos que a decisão é sair. A Europa tem que ter uma posição de frieza, não entrar em pânico. Não dramatizar mais. Isso não significa o fim da UE". É, isso sim, "preciso reafirmar a vinculação comum vinculação ao projeto europeu. E evitar decisões precipitadas, como mais uma marcha forçada, uma tentação integracionista".

Quanto a Portugal, garante o ministro, tem margem para gerir crise dos mercados: "Todos os mercados estão receosos. Não há problema de financiamento. O serviço da dívida portuguesa é absolutamente gerível." Mas dica sublinhado o aviso aos diz classifica como "funcionários europeus": "O que Portugal não aguenta é um clima de ameaça constante, hostilização permanente, porque as expectativas são importantes em economia. Não há maneira de atrair investimento se houver funcionários a dizer isto vai falhar, isto vai falhar."

Também para o PCP e Bloco, dois partidos que já propuseram em tempos referendos europeus em Portugal, fica um alerta: "Essa questão não está no horizonte desta legislatura, não vejo qual fosse o motivo. A Constituição não permite referendos do tipo 'quer sair ou não da UE'."

Mesmo assim, Santos Silva diz-se otimista quanto ao resultado do referendo: "Se o Reino Unido ficar, é a segunda grande vitória da Europa. Num cenário de permanência, a UE tem enorme vitória política, superando os dois grandes riscos do último ano: perder a Grécia e perder o Reino Unido. E isso permite uma viragem na Europa". Porquê? "Com o Reino Unido é mais fácil pôr a economia no lugar principal", explica Santos Silva, que diz esperar também que depois das eleições espanholas haja finalmente um Governo no país vizinho.

A entrevista TSF passa depois do noticiário das 11h00, repete à meia-noite, e pode ser lida na íntegra aqui.

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