Secretário de Estado reembolsa Galp por viagens ao Euro2016

Rocha Andrade confirma que viu dois jogos do Europeu de Futebol pagos pela petrolífera, diz que não há conflito de interesses, mas decidiu "reembolsar a empresa". PSD já pediu esclarecimentos.

O ministério das Finanças confirmou à TSF que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais "aceitou o convite feito pela GALP, enquanto entidade patrocinadora da Seleção Nacional, para assistir a dois jogos da seleção portuguesa de futebol".

Rocha Andrade viajou para França onde viu o Portugal - Hungria e a final do Europeu de Futebol.

O ministério "considerou o convite natural, dentro da adequação social" e diz que "não existe um conflito de interesses".

"No entanto, para que não restem dúvidas sobre a independência do Governo e do secretário de Estado", Rocha Andrade "contactou a GALP no sentido de reembolsar a empresa da despesa efetuada".

A notícia de que Fernando Rocha Andrade viajou a convite da Galp foi revelada pela revista Sábado, lembrado que o governante representa o Estado num conflito judicial milionário com a empresa.

Numa resposta enviada à TSF, o ministério das Finanças considerou que "existe uma multiplicidade de processos de natureza judicial" envolvendo o grupo Galp, "algo relativamente normal na relação entre um contribuinte com esta dimensão e a Autoridade Tributária".

Para o ministério, "tratando-se de processos em contencioso, as decisões concretas sobre os processos judiciais em causa não competem ao Governo, mas sim aos Tribunais".

PSD quer esclarecimentos

"Surpreendido" com a notícia, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD anunciou que o partido vai apresentar na quinta-feira uma pergunta parlamentar ao Governo para obter esclarecimentos.

"É fundamental esclarecer esta situação", disse Leitão Amaro adiantando que a Galp "tem pelo menos um litígio fiscal pendente de muitos milhões de euros com o Estado, em particular com um serviço que depende da tutela do próprio secretário de Estado".

O PSD quer também perceber se "este é um fenómeno apenas com o secretário de Estado" ou se existem outros casos de membros do Governo a ter recebido ofertas de viagens da parte de empresas privadas com as quais o Estado tenha algum tipo de relação: um litígio, uma relação contratual ou comercial.

"É preciso perceber se houve algum recebimento indevido de alguma vantagem por parte de membros do Governo", acrescentou.

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